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PDOT segue uma celeuma

Deputados distritais derrubam cinco vetos do GDF ao Plano Diretor. Ainda restam 44 pontos para serem votados nos próximos dias

Tamanho da Fonte     Fernando Brito
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 Redação Jornal da Comunidade

Quanto mais se mexe no novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), mais polêmica aparece. A última controvérsia aconteceu nesta semana, quando os deputados distritais começaram a votar os 58 vetos apresentados pelo GDF à nova lei. Dos impedimentos apontados pelo Executivo, 14 foram apreciados, sendo cinco derrubados. Entre eles, o que despertou atenção foi a manutenção da permissão para que 77 famílias de chacareiros continuem a ocupar parte da área do Parque Ezequias Heringer, conhecido como Parque do Guará.


Os autores da emenda que dá brecha para a permanência da ocupação no parque são os suplentes de distrital Berinaldo Pontes (PP) e Geraldo Naves (DEM). O primeiro já não está mais na Câmara. Então, coube ao parlamentar barra pesada disparar chumbo grosso em defesa do controverso adendo ao PDOT. Naves começou a campanha pró-chacareiros atacando o presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Gustavo Souto Maior, responsável pela execução da política ambiental do GDF. Nas últimas semanas, Naves discursou no plenário, desferindo fortes críticas contra Souto Maior, a quem acusou de atrasar a liberação de licenciamento de várias obras do governo. Em seguida, convenceu a maioria dos deputados a derrubar o veto.


[legenda=Geraldo Naves defende chacareiros]Mas se venceu no plenário, Geraldo Naves perdeu nas ruas. Nesta semana, o Jornal da Comunidade recebeu inúmeras mensagens eletrônicas protestando contra a medida. O presidente da Sociedade de Amigos do Parque do Guará ficou contrariado. “Isso é um absurdo. O nosso parque precisa ser preservado. Há várias espécies que só existem aqui. O interesse de pouco mais de 70 invasores não pode prevalecer sobre o interesse de mais de 2 milhões de brasilienses que sempre repudiaram a fixação dos invasores do parque”, diz Adolpho Kesselring. Criada por lei em 1968, a unidade de conservação nunca foi uma prioridade. As poucas benfeitorias que existem foram feitas por associações de moradores.


Mas os moradores do Parque do Guará contestam essa versão. Algumas famílias alegam que vivem no local há mais de 40 anos e ajudam a preservar a área de 306 hectares. Atualmente, a ocupação chega a quase 50% do total da reserva, com desenvolvimento de atividades agrícolas e criação de animais. “Somos defensores do parque. Nos últimos anos já procuramos o Ministério Público do DF e a Seduma para denunciar as agressões ao meio ambiente na região. Queremos mostrar à sociedade que é melhor para o parque que permaneçamos no local”, explica o presidente da Associação dos Chacareiros do Parque do Guará, Marcelo Teixeira.


A região é a única a abrigar espécies como o Podocarpus brasiliensis, um tipo de pinheiro que atinge 12m de altura. Ao todo, são 30 nascentes na área e 168 espécies de orquídeas – 65 delas só florescem no parque. Recente acordo entre o Ibram e um grupo de construtoras que realizam empreendimentos nas proximidades do parque estabeleceu que as empresas investiriam na manutenção e conservação da reserva, além de se responsabilizarem pelo custeio do plano de manejo da unidade de conservação.


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