Política

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Cenário político no Distrito Federal

Tamanho da Fonte      Redação Jornal da Comunidade

Como o senhor vê a disputa entre Agnelo e o Magela para ser candidato ao governo no DF?
Natural. Magela já foi candidato a governador, praticamente venceu a eleição, uma eleição que ficou sub judice, inclusive, quase três anos. Eu considero a decisão do Tribunal Superior Eleitoral uma decisão inacreditável. Inacreditável. Se nós olharmos depois que o Supremo cassou o mandato do (governadores) Cássio Cunha Lima (PB), do Jackson Lago (MA) e o mandato do Marcelo Miranda (TO), e tudo indica vai cassar o mandato do (Ivo) Cassol (RO), não ter cassado (o mandato de governador de) Joaquim Roriz é uma coisa assim que vai ficar para os anais da Justiça brasileira como um caso para ser analisado e estudado. Então, o Magela tem toda legitimidade, como deputado federal reeleito várias vezes e importante dirigente do PT. E o Agnelo Queiroz também tem história como deputado, como ministro, como militante do PC do B. Agora o PT é que vai resolver isso. O filiado do PT é que vai resolver.


(N.R. Por maioria de votos (4 x 2), o plenário do Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o Recurso Contra Expedição de Diploma ajuizado pelo PT e inocentou Roriz de 35 acusações de abuso do poder e captação ilícita de votos na eleição de 2002. A sessão terminou na madrugada do dia 18 de fevereiro de 2005.)

 



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Não teria como acomodar os dois?
Isso aí é a direção do PT que tem que procurar construir uma candidatura para o governo outra para o Senado. Os dois são nomes bons e importantes. Espero que isso aconteça.

Existe a possibilidade do PT Nacional intervir para evitar um desgaste com essa disputa interna no DF?

Sempre existe. O Ricardo Benzoini que é o presidente deve estar trabalhando nesse sentido. Eu tenho excelentes relações tanto com o Geraldo Magela como com o Agnelo Queiroz. Tenho conversado com o Chico Vigilante que é o nosso presidente aqui. Acredito que passada a eleição para a direção nós vamos ter uma ideia das maiorias do partido e aí pode se encaminhar para um acordo. Importante é o PT disputar a eleição porque tem chances de eleger um senador aqui e também vai jogar um papel importante nessa campanha para governador porque vai ter segundo turno. O PT pode ir para o segundo turno ou, não indo, vai ser decisivo para quem quer ser eleito governador se houver realmente a candidatura de Joaquim Roriz ao lado da candidatura do atual governador Arruda.

Quem são os aliados do PT no DF?

Aqui nós tradicionalmente sempre caminhamos juntos com o PSB, com o PDT, com o PC do B, porque o PMDB, na medida em que o Roriz é o candidato, é improvável que o PT faça uma aliança. E no caso do governo Arruda nós somos oposição ao governo. O segundo turno é outra questão. Acho que o PT tem que trabalhar mais aqui para organizar um palanque para a ministra Dilma e lutar para ir ao segundo turno.

Ou seja, o PT pode ter um número pequeno de aliados?

Isso não significa que o PT não deva conversar. Deve sim conversar com o PMDB, com o ex-governador Joaquim Roriz, deve conversar com o governador, com o DEM. O PT deve conversar com todos os partidos. Com o Gim Argello, que em alguns momentos eu leio que pode ser candidato a governador pelo PTB. Tem que conversar com todas as lideranças que tem por aqui. Tem o PPS que está participando do governo do Arruda, então tem que dialogar, tem que apresentar propostas e ideias. Eu li uma entrevista do Magela e já vi também entrevistas do Agnelo que eles têm ideias, propostas para a cidade, para o GDF, para os problemas de segurança pública, de transporte, os problemas de saúde, propostas para o Entorno, propostas com relação ao servidor público, a polícia militar. Brasília tem que construir também a sua própria economia. Não pode depender só do governo federal e só da renda do serviço público que é importantíssima. Brasília tem que ter sua economia. Eu vejo que tem a Copa do Mundo aí pela frente, tem o aniversário da cidade, tem uma agenda.

Então não existe objeção de o PT e Roriz estarem no mesmo palanque?

Isso vai ter que ser discutido e decidido pelo PT porque no primeiro turno o PT tende a ter candidato, ainda que possa ter objetivo de eleger senador. As nossas prioridades, que foram definidas pelo partido, é palanque nacional, eleição de senadores, deputados e governadores. Lógico que onde nós governamos, a prioridade do governador passa para segundo lugar. É onde nós temos chances reais também. Mas nós temos que abrir para apoiar outros candidatos porque nós precisamos de alianças para eleger a Dilma em nível nacional, então o PMDB é muito importante. Por isso, é importante o diálogo com o PMDB. Agora se o PT vai apoiar ou não o governador Joaquim Roriz, isso é uma questão que aqui os filiados têm que decidir, e eu acredito que é improvável. Isso é minha opinião, pode ser que a maioria aqui não concorde com essa opinião.

Como garantir outro palanque para Dilma sem apoiar Roriz?

Mas aí o problema todo é se nós queremos que o Joaquim Roriz volte a governar Brasília. Eu, pelo menos, não quero. Eu, como cidadão, não quero. Eu prefiro outro governo, de preferência do PT. Se eu fosse votar aqui, certo? Eu acho que tem um sentimento grande de apoio a ele em Brasília pelos governos que ele fez e tudo. Eu não estou subestimando, nem estou desqualificando o ex-governador, estou dizendo que, como cidadão brasileiro, se votasse em Brasília, não gostaria que ele voltasse a governar por “enes” razões. Eu tenho uma avaliação sobre os governos que ele fez em Brasília que eu não acho adequado para 2011, século 21, ele voltar a governar Brasília.

Como interpreta a relação amistosa que existe entre Lula e Arruda, apesar dos lados opostos?

Vejo com muita satisfação. É importante que o presidente se entenda com o governador do DF e não há nenhuma razão para não. Eu tenho excelente relação também com o governador Arruda, tudo que eu posso procuro apoiar, ajudar. São coisas diferentes. Uma coisa é discordar da política na área de segurança, saúde, fazer oposição e querer governar, outra coisa é manter boas relações, conversar, porque nós governamos o País. Nós não somos um partido de oposição só, como nós somos aqui. Nós temos responsabilidades. Todo mundo sabe, cada brasiliense sabe que dois terços do que acontece em Brasília depende de recursos do governo federal, então é natural que haja essa boa relação. Eu, pelo menos, sempre tive uma boa relação com o governador Arruda, desde a época que ele era deputado. Nós somos conterrâneos, além de tudo. Eu sou mineiro, eu tenho uma ligação muito forte com Itajubá porque eu tenho irmãos que moram lá, tenho família lá. Todos meus amigos estudaram lá eu fui um dos poucos que não fui para Itajubá e não fiz Engenharia Eletrônica. Eu fui para São Paulo e fiz Direito, mas meus amigos que se formaram comigo na minha cidade, eu sou de Minas, de Passa Quatro, foram para Itajubá. Então eu me considero, inclusive, amigo do governador Arruda.

Existe alguma possibilidade de o PT apoiar a candidatura à reeleição do senador Cristovam?

Eu mesmo conversei com o senador Cristovam Buarque, o visitei há alguns meses, acho que foi ano passado. Ele realmente nos últimos acontecimentos no Senado, adotou toda uma postura política que o afasta muito do PT. Agora isso precisa discutir, conversar com o próprio PT daqui. Eu não estou acompanhando de perto isso, mas acho que ficou também bastante improvável. O PT deve ter candidato ao Senado aqui, até porque o senador Cristovam, muitas vezes fala-se na candidatura dele a presidente da República, outras vezes fala-se na candidatura dele a vice da Marina Silva. Eu não estou acompanhando assim, não falei com ele para saber o que está acontecendo. Ele tem evidentemente uma liderança, um papel importante, fez um excelente governo aqui. Tem um papel importante em Brasília.

O episódio da demissão de Cristovam pelo telefone foi superado?

Sim. Foi superado. Faz tempo já, né? A vida nos ensina muita coisa. Eu não tive o papel que me foi atribuído na demissão dele, mas eu não sou, como todos me conhecem, de também ficar fugindo das responsabilidades, jogando as responsabilidades nas costas do presidente. Eu não tenho nenhum problema se querem me atribuir algo que eu não fiz, também me calei.


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