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SHEILA OLIVEIRA
spereira@jornaldacomunidade.com.br Redação Jornal da Comunidade
Cerca de 100 escolas públicas de ensino médio de todo o Brasil foram selecionadas para participar de uma proposta revolucionária do Ministério da Educação (MEC): o Ensino Médio Inovador. De acordo com o novo programa, as escolas inscritas irão receber apoio técnico e financeiro para desenvolver atividades que priorizem o protagonismo juvenil com foco na leitura e prática experimental. Incentivar o uso de novas mídias e tecnologias no processo educacional, assim como o autodidatismo dos alunos, além de estimular a arte e cultura por meio de projetos que valorizem a integração social também fazem parte da novidade.
Com essas ações o estudante passa a ser agente atuante dentro da escola, com voz ativa para propor projetos que ajudem a estimular o conhecimento nas áreas de ciência, tecnologia e cultura. Com o ensino médio inovador, o MEC pretende tornar o conhecimento mais atraente e, sobretudo, melhorar a qualidade da educação, diminuindo a evasão escolar na última etapa da educação básica.
O novo modelo de ensino médio tem sete questões centrais, que devem ser desenvolvidas ao longo do ano letivo, tais como a ampliação da carga horária para três mil horas aula, um aumento de 200 horas a cada ano.
De acordo com o gerente do ensino médio da Secretaria de Educação, Aparecido César Nascimento, o DF já cumpre essa determinação desde a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). “Várias ações do que é proposto pelo MEC já são contempladas aqui no DF. A carga horária de toda a rede foi ampliada de 2.400 horas para 3.200 horas anuais.”
Faz parte ainda do programa a proposta de associar teoria e prática com ênfase nas atividades práticas e experimentais. Ou seja, os alunos passam a ter aulas em laboratórios e oficinas. Para isso, o governo federal disponibilizou, para este ano de 2010, cerca de R$100 milhões a serem divididos com as escolas participantes do novo ensino médio. A verba para cada instituição foi calculada de acordo com o número de alunos. Desta forma, a escola poderá adequar sua infraestrutura dentro do que é proposto.
Segundo Aparecido Nascimento, os gestores das escolas brasilienses ficarão responsáveis por gerenciar diretamente uma parte da verba do governo federal. “Outra ação no mesmo programa é da Secretaria de Educação cuja aplicação se dará através de contratos e convênios e, estes sim, gerenciados pela Secretaria”, afirma.
O MEC faz questão de não interferir na autonomia das escolas, dessa forma, prevê que uma das ações seja fortalecer a participação da comunidade escolar no processo de formular projetos pedagógicos que atendam a demanda do novo ensino médio. O incentivo à leitura e o processo de escrita por meio de projetos como, por exemplo, prêmios de redação e olimpíadas de língua portuguesa são um dos pontos mais valorizados pela nova proposta.
O tempo que o professor passa na escola também é abordado pelo programa. O MEC entende que para ter uma educação de qualidade é necessário que o professor se dedique integralmente. É a velha discussão da educação integral de qualidade, no qual o profissional atua 40 horas semanais na mesma escola.
Outra mudança prevista pela nova proposta do MEC e uma das mais polêmicas entre os estudantes é a possibilidade do aluno escolher 20% de sua carga horária na grade curricular dentro das atividades oferecidas pela escola.
Para o estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio Sigma, Eduardo Cotta, essa novidade pode não ser bem aceita pelos estudantes. “O ensino médio é a época em que os alunos se preparam para o vestibular. Então eu vou querer me dedicar às atividades que tenham a ver com a minha escolha profissional. No meu caso que pretendo fazer engenharia, iria me dedicar apenas aos projetos que têm a ver com a área de exatas”, defende Eduardo.
Apesar de nessa primeira etapa o ensino médio inovador contemplar apenas as escolas da rede pública de ensino, o Ministério da Educação espera para os próximos anos a adesão das instituições de ensino privadas, mesmo que a maioria delas já atenda às demandas propostas pelo órgão governamental. Assim, as escolas particulares que queiram participar do programa receberão do MEC apoio técnico para desenvolver atividades previstas dentro do novo ensino médio.
Inovação no DF
A escolha das escolas que irão participar do novo programa do MEC não ocorreu de forma aleatória. As instituições de ensino tiveram que apresentar projetos já desenvolvidos na escola que correspondessem ao que é proposto pelo Ministério. Além disso, os colégios selecionados terão que adaptar o plano pedagógico às ações do ensino médio inovador. Para isso, o MEC disponibilizou curso de formação para os gestores das escolas. No Distrito Federal, um total de 19 instituições de ensino participam do programa. Instituições de ensino localizadas no Plano Piloto, Guará, Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, São Sebastião, Riacho Fundo, Gama, Sobradinho e Brazlândia.
Para o professor e diretor do Centro Educacional Gisno, Sebastião Oliveira, o ensino médio inovador vai reforçar e legitimar os projetos que já eram desenvolvidos pelos alunos e professores. “O nosso colégio já desenvolvia dois projetos que atendem ao que é solicitado no ensino médio inovador. Nós temos o Gisno Teatro, que já foi premiado pela Secretaria de Cultura e que já apresentou peças até mesmo no Teatro Nacional. Outro projeto desenvolvido na escola é a Rádio Gisno que funciona na hora do intervalo. Esses dois projetos têm a participação dos professores”, conta o gestor.
A escola será uma das que participará do novo modelo de ensino médio. Para adequar sua estrutura e investir no desenvolvimento de outros projetos, a instituição deve receber este ano cerca de R$ 90 mil. “Essa verba do MEC vai ajudar a fortalecer esses dois projetos que juntamente com um conjunto de informações ajudam bastante os alunos tanto no crescimento pessoal quanto em termos de disciplina e conhecimento”, conclui.
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