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Lea Queiroz
cqueiroz@jornalcoletivo.com.br Redação Jornal da Comunidade
As lideranças que estão à frente dos trabalhos em prol do crescimento econômico de Brasília vêm se articulando para impedir que a crise política que se instalou na capital federal tenha reflexos no desenvolvimento da cidade. Em entrevista ao Jornal da Comunidade, o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi), Adalberto Valadão, comentou a necessidade de que os acontecimentos políticos sejam tratados de forma separada a fim de que não resvalem no promissor crescimento econômico da capital, especialmente no setor imobiliário, que mantém a expectativa de um audacioso crescimento de 20% este ano.
Ele considera acertada a postura do Governo do Distrito Federal de continuar trabalhando normalmente, levando adiante as obras e programas que encampou, e defende o movimento que tem se organizado com a união de todo o setor produtivo para impedir que, além da imagem, não haja mais prejuízos para o mercado e para o cidadão brasiliense. Confira a entrevista.
Como o senhor avalia o atual cenário político e econômico de Brasília?
Eu avalio que os acontecimentos políticos para a nossa cidade não foram bons. Todo mundo sabe disso, que não está sendo bom especialmente para a imagem da cidade. Mas entendo que as coisas precisam ser tratadas de forma separada. Uma coisa é a crise política, o desdobramento dela, se vai ter impeachment ou não, coisas dessa natureza. Outra situação é a gestão do governo, ou seja, a gestão administrativa da cidade, a continuidade dos programas de governo, a continuidade das obras que estão em andamento, e isso aí é que efetivamente beneficia a população.
Como seria esse tratamento diferenciado entre a política e a economia?
Reforço que são duas coisas que precisam ser separadas, inclusive a gente tem feito gestão junto ao governo para que seja efetivamente separado e o governo tem dado demonstração de que está tratando o assunto de forma separada. Veja, por exemplo, não houve paralisação de obra, não houve interrupção de programa social. Então, acho que nessas condições, eles (do GDF) estão fazendo como deveriam, não criando prejuízo além do prejuízo já da imagem, para o cidadão brasiliense. Do ponto de vista da qualidade de vida dele, do ponto de vista das obras que estão em execução e dos programas sociais., isso continua em andamento.
Os empresários estão discutindo essa situação?
As lideranças do setor privado têm se reunido para debater esse tema e as coisas não estão paradas. Já existe uma condição nesse momento de continuidade, e de continuidade normal, de forma que o setor privado está muito atento para isso. As lideranças empresariais estão muito atentas e, como já mencionei, do lado do governo as ações administrativas estão dando continuidade ao trabalho que vinha sendo feito, inclusive com acompanhamento. Aí, o que a gente pode observar é que as coisas estão sendo feitas.
O mercado da construção imobiliária foi afetado?
No caso particular do setor da construção imobiliária, que é o setor que eu presido, não tem nenhum lançamento que está deixando de ser feito por conta de crise política. As coisas estão andando normalmente. As obras que têm a ver, por exemplo, com o Setor Noroeste, tanto as obras que o governo está fazendo como aquelas que os empresários estão lançando, todas elas estão andando normalmente. Então, quer dizer que no nosso setor, particularmente no setor imobiliário, não tem nenhuma paralisação não e, se quer mesmo saber, não tem nenhuma diminuição de ritmo de desenvolvimento.
Então seguem as boas expectativas do setor para este ano?
As perspectivas do mercado imobiliário, eu tenho comentado inclusive com muitos jornalistas, é que a gente está prevendo um crescimento de 20% ao ano. Você há de convir comigo que é uma coisa extremamente astuciosa se levar em conta que em relação ao PIB nacional a estimativa do governo federal é um crescimento de 4 a 5%.
Depois da crise econômica, o mercado brasiliense está apto a superar mais essa crise?
É aquela coisa que a gente sempre comenta, Brasília tem vantagens. A primeira delas é que a gente tem uma massa salarial que 60% dela é composta pelos servidores públicos e essa massa salarial tem uma tranquilidade de ter segurança com crise ou sem crise ela não vai perder o emprego nem vai reduzir salário. Então isso já é algo que dá muita sustentação à economia do DF.
Que outros fatores contribuem para essa superação?
A outra coisa em relação ao setor imobiliário é que hoje a gente tem uma facilidade de financiamento de crédito muito alta, o que facilita também, naturalmente, a pessoa ter acesso à casa própria. Então isso é outra coisa que ajuda o mercado. Tem uma terceira situação, que é o fato de os juros estarem caindo. São esses fatores que dão suporte à economia do DF, especificamente em relação ao mercado imobiliário, e a gente pode então prever um crescimento de 20% neste ano.
Então a economia segue alheia à crise política?
Pontuando de novo a crise política, que esta crise é pontual, ela está acontecendo agora, não acontece todo ano. Essa a gente tem trabalhado para que seja tratada à parte do desenvolvimento da cidade, da economia da cidade, da vida da cidade. A gente tem trabalhado nesse sentido para evitar que isso possa criar algum prejuízo para o dia-a-dia da cidade, para o setor produtivo e para o cidadão. Os empresários estão atentos. Na verdade a gente tem feito reuniões. Essas reuniões estão sendo coordenadas pela Fibra para discutir o assunto e fazer uma ação conjunta porque assim a gente tem mais força. A mensagem é Brasília não parou e nem vai parar.
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