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Nem férias esfriam o mercado

Período em que o setor imobiliário costuma se ressentir da demanda por imóveis, a virada de ano superou as expectativas das lideranças do setor e bateu recorde de vendas

Tamanho da Fonte     Rafael Mouad
rbueno@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade

Com a chegada do fim de ano, o brasileiro economiza nos gastos, quita dívidas e inicia o novo ano com menos despesas. É nesse período que o mercado imobiliário dá uma esfriada. Mas o final de 2009 e os primeiros dias de 2010 mostram um outro cenário para o mercado da construção civil em todo o país. O período foi considerado recorde de vendas para a maioria das imobiliárias e promete atrair novos compradores tanto para morar como para quem deseja investir em imóveis.


O fundador e proprietário do portal WImóveis, Augusto Abdala, considera a estabilidade econômica do país como fator principal para o excelente momento vivido pelo setor imobiliário. “A queda da taxa de juros, a estabilidade da economia e o alongamento de prazos de financiamento possibilitaram àqueles que antes não podiam uma chance de investir na casa própria. Todos ganham, tanto quem vende como quem compra, além da própria economia. O investimento em imóveis gera trabalho e distribuição de renda”, completa Abdala.

[legenda=Augusto Abdala diz que investimento em imóveis gera trabalho e renda][credito=Foto: Mary Leal]


Preocupada em atender a alta na demanda por imóveis, a construtora Silco Engenharia oferece aos clientes soluções inovadoras e criativas tanto no projeto arquitetônico como nas condições de pagamento, buscando atender as necessidades de quem procura um imóvel para morar ou para investir. O engenheiro Marcelo Guerra, da Silco, explica as condições para quem deseja comprar um imóvel pela construtora.


“Em todos os nossos empreendimentos temos uma tabela sugestiva da forma de pagamento, mas sempre estamos abertos a ouvir e aceitar condições diferenciadas propostas pelos clientes. Cada empreendimento tem a sua particularidade, que permite ou não flexibilizar as condições de pagamento. Se possível, o cliente deve enviar uma simulação de compra de imóvel.  As taxas de juros bancários estão bastante atraentes para o comprador. Oferecer condições em que o cliente paga pouco durante a construção e busca um financiamento bancário para quitar com a construtora no momento da entrega tem sido a opção mais utilizada nos contratos de compra e venda”, afirma.

Novo imóvel

O comerciante Márcio Araújo Gomes Castro diz que as despesas de final de ano não o impedirão de investir em um novo imóvel. “Todo final de ano os gastos triplicam na minha família. Tenho três filhos cursando o ensino fundamental, além de impostos a serem quitados para 2010. Mesmo com esta situação apertada, as vantagens que tenho encontrado para adquirir um imóvel são imperdíveis. Já coloquei tudo no papel e, se economizarmos um pouco, teremos mais uma fonte de renda”, disse o comerciante.
 
Caixa dobra crédito

A Caixa Econômica Federal fechou 2009 com R$ 47,5 bilhões em financiamentos imobiliários, sendo R$ 14,1 bilhões destinados ao Minha Casa, Minha Vida. Trata-se da maior contratação habitacional da história da instituição financeira. Receberam o crédito 886.762 famílias, sendo 275.528 pelo Minha Casa, Minha Vida. O volume de crédito é 102% maior que o registrado em 2008 e 9,4 vezes acima do de 2003, informa a Caixa.


“Contrariando todas as expectativas, 2009 foi um ótimo ano para o crédito imobiliário”, afirma o vice-presidente de governo da Caixa, Jorge Hereda. As linhas de crédito com recursos do FGTS também tiveram crescimento expressivo em 2009. Os empréstimos para imóveis novos ou na planta somaram mais de R$ 9,4 bilhões, 109% maior do que em 2008. A quantidade de unidades financiadas aumentou 31%, passando de 110.021 em 2008 para 144.309 em 2009.


DF só perde para São Paulo no volume de vendas

Nos últimos cinco anos o mercado imobiliário do DF vem mantendo um forte ritmo de valorização. O preço do metro quadrado sobe em média entre 20% e 25% por ano. O Distrito Federal fica atrás apenas de São Paulo em volume de vendas e faturamento no setor. Em 2009, a valorização foi ainda mais forte. Nos primeiros lançamentos do Noroeste, embora o preço do metro quadrado, que já beira os R$ 10 mil, tenha assustado pelo alto valor, ainda assim não faltaram compradores. Pelas previsões do setor, o metro quadrado deve chegar em breve a R$ 12 mil.


Antes restrita ao Plano Piloto, cujo tombamento explica em parte a disparada de preço dos espaços, a valorização se expandiu para as demais cidades do DF e até mesmo para o Entorno. De acordo com o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Adalberto Valadão, em 2009 a valorização do metro quadrado variou de 15% a 40%, dependendo da localidade.


O surgimento de novas áreas para investimento imobiliário aqueceu o mercado em 2009. Com a escassez de terrenos livres na região central, as incorporadoras descobriram um nicho próspero em cidades como Samambaia, Ceilândia e Taguatinga, além de Valparaíso e Águas Lindas, ambas em Goiás. É cada vez maior o número de investidores nessas áreas periféricas. Muitos que não podem desembolsar R$ 10 mil por metro quadrado no badalado Noroeste, por exemplo, pagam até quatro vezes menos nas regiões distantes do centro de Brasília.


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