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César Fonseca
cesarsfonseca@gmail.com Redação Jornal da Comunidade
No momento em que começa a esquentar a campanha presidencial, todos os partidos fogem da democracia político-partidária pré-eleitoral por intermédio das escolhas prévias dos candidatos pela comunidade políticamente organizada. Não há inocentes. O cultivo do vício é geral entre os partidos. Não estão acostumados com a democracia pré-eleitoral. As escolhas prévias não se dão democraticamente, mas pela ação ditatorial de coronéis da política que mandam nos partidos, fazendo escolhas de cima para baixo e não o contrário. Contamina-se, assim, todo o processo político eleitoral, lançando as bases da corrupção político-partidária.
As ordens partem das cúpulas. Já pode ser considerado famoso o divórcio em 2010, por falta de prévias eleitorais, dos governadores de Minas, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, porque não se entenderam sobre o modo democrático de escolha dos tucanos para disputar a Presidência da República. O racha se acentuou e o famoso café com leite do PSDB não pode ser construído, como evidenciou a resistência do titular do Palácio da Liberdade, essa semana em que Tancredo Neves, seu avô, completaria centenário de nascimento.
Como se verifica entre os tucanos, configurando lei geral, rachas acontecem quando o império se desentende por dentro, desmoronando. A candidatura Serra é um ensaio de desmoronamento por dentro por ausência de democracia partidária. A democracia está cobrando seu preço por não estar sendo exercitada no interior dos partidos, onde fluem os antagonismos sociais.
Os resistentes aos processos democráticos internos para se escolher melhor nome, para além das manipulações das cúpulas, estão por todos os lados. Dentro da aliança governista é fato corrente. A ordem dentro do PT, agora sob nova direção, do ex-senador Eduardo Dutra, é evitar a disputa democrática por meio de prévias e buscar o consenso.
A educação democrática é descartada, como processo de evolução política nacional. A palavra de ordem é buscar a qualquer custo acertos consensuais à revelia dos interesses comunitários aos quais as falsas lideranças dizem representar. O modo de agir das cúpulas petistas visa engordar, a partir de ordens de cima para baixo, a candidatura Dilma Rousseff.
Cúpulas invertem as prioridades
As bases regionais, nesse sentido, não podem exercer o contraditório, lei natural da política, como fator de evolução democrática dos povos. Assim, em vários estados, como Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo etc, o impulso democrático da disputa é negado como evolução, para dar lugar à involução, que considera aquela um insulto.
As prévias, que se constituem na arma da comunidade, para, através das agremiações partidárias, escolher os melhores representantes comunitários, de acordo com o princípio maior de que o poder popular está nos municípios, nas bases primárias da organização política, transformam-se em fantasmas dos quais as cúpulas partidárias antidemocráticas fogem, desesperadamente.
O vício antidemocrático, representado pelo repúdio às prévias, em favor da busca de consenso que representa, quase sempre, interesses contrários aos da comunidade, que repudia os costumes dos coronéis eletrônicos da política, ditadores das máquinas partidárias, constitui a mãe de todas as corrupções. O consenso, manipulado por pesquisas de credibilidade duvidosa, acaba se transformando em bloqueio às pressões, que são substituídas pelos interesses de grupos aliados, invariavelmente, pelo poder do dinheiro e das articulações, planejadas para perpetrar interesses, se mantidos no poder.
O maior partido do país, o PMDB, da mesma forma que o PSDB e o PT, dá mostra explícita de negação dos interesses das bases partidárias. Os defensores da disputa interna dentro do partido falaram alto na última reunião nacional dos peemedebistas. A pregação das prévias ecoou forte, mas a cúpula manobrou e evitou que o histórico PMDB, mais uma vez, compareça à eleição presidencial com candidato próprio a presidente.
Desgaste
Os partidos deixam de constituir-se em sua essência, ou seja, condutos pelos quais circulam os antagonismos sociais, para se transformarem em moeda de troca que abomina o contraditório democrático. Como predomina, no Congresso, o poder do mercado financeiro, que impôs à Nova República a governabilidade por meio de MPs - medidas provisórias -, a escolha democrático partidária se transforma em incômodo, em problema em vez de solução.
O grande escândalo político que se desenrola no DF, com a prisão do governador e a renúncia do vice, estando a sociedade sob perigo de intervenção pelo Supremo Tribunal Federal, é a expressão acabada da deterioração geral dos partidos políticos no ambiente em que inexiste a renovação partidária por intermédio das prévias eleitorais, que mobilizam a comunidade políticamente organizada.
Nesse sentido, a grande evolução, na América do Sul, nos últimos tempos, expressa-se na reforma política e eleitoral ocorrida na Argentina, no final do ano passado. O Congresso aprovou lei eleitoral em que a base da renovação política se dá por meio da comunidade que comparece em todo o dia 4 do mês de agosto de ano eleitoral para escolher, simultaneamente, os candidatos dos partidos em prévias eleitorais obrigatórias.
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