Política

 Enviar matéria por e-mail

Estágio da crise divide opiniões

Líderes partidários do DF avaliam cenário político em busca de se organizarem para o período eleitoral. As indefinições quanto ao governo dificultam planejamento

Tamanho da Fonte     Lea Queiroz
cqueiroz@jornalcoletivo.com.br
Mariana Spezia
mspezia@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade

[legenda=Filippelli acha que a crise será agora pontual ][credito=Foto: Gilda Diniz/Cedoc]A poeira levantada pela crise política em Brasília está se assentando e os partidos começam a se organizar, alguns juntando os cacos, outros tentando apaziguar os ânimos internos divergentes, e outros ainda se unindo em novas alianças. Mas, todos começam a voltar os olhares para o futuro próximo: as eleições 2010. Com crise ou não, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) lançou na sexta-feira (12) o advogado José Messias de Souza como pré-candidato ao governo do Distrito Federal e o PSDB já manifestou que também pretende ter candidato próprio.


Para o presidente do Partido Verde no DF (PV), Eduardo Brandão, a crise ainda não passou visto que ainda se tem um governador afastado e um governante interino, mas acredita que o clima de tensão se acalmou um pouco. “As instituições estão funcionando. A Câmara está tentando dar uma resposta àquela situação amorfa em que ela se encontrava, mas eu acho que as coisas vão ter que ser analisadas e mostradas para a sociedade como um todo”, avalia.


No Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o presidente no DF, Gustavo Ribeiro também considera que a crise continua devido ao andamento do processo de intervenção que ainda é visto como uma possibilidade. Ele ressalta que sua sigla já se manifestou contra a intervenção, mas como há muitas indefinições como se o governador fica ou sai, se terá que um novo ser eleito, e há também o conflito entre a Constituição e a Lei Orgânica do DF, tudo isso dificulta o planejamento dos partidos locais.


Já para o presidente do Partido Democrático Trabalhista do DF (PDT), Ezequiel Nascimento, o pior da crise já passou. Na opinião dele, a questão do governo em relação ao afastamento já se consolidou, embora não tenha se definido ainda do ponto de vista formal. Ele acredita que não há mais possibilidade de o governador José Roberto Arruda reassumir a condução do Executivo. No entanto, Nascimento reforça que a grande incógnita está sobre quem assume o GDF e reforça a necessidade de se legitimar o governante através de uma eleição. “Não pode haver nenhum governante que não tenha sido eleito, por isso há previsão da eleição indireta. Essa parte aí ainda não está definida”, atenta.

Se pregar e fazer o que prega

[legenda=Vigilante: eleitor tem culpa e urna não é penico][credito=Foto: Mary Leal/Cedoc]Para o presidente do Partido Social Cristão (PSC), Valério Neves Campos, a crise não abalou em nada o projeto da sigla no DF. “O nosso principal objetivo continua o mesmo: eleger Joaquim Roriz no primeiro turno”, afirma.


Valério Campos lembra que seu candidato tem falado que é importante para a população a necessidade de “se pregar e fazer o que prega”. O presidente do PSC diz que a população quer soluções, mas também quer correção por parte dos seus administradores. “Os governantes têm que ser modelo. É como Joaquim Roriz sempre diz: O povo não é bobo”.


O dirigente do PSC acredita que seu partido possa ter sido o primeiro a se posicionar contra a intervenção por meio de suas inserções em rádio e TV. “A gente acha que a intervenção é uma agressão ao povo do DF. Os poderes constituídos aqui em Brasília têm que resolver seus problemas. Se o governante cometeu alguma irregularidade que se puna ele e não a população”, reforça.


Ele espera que a campanha seja propositiva e acredita que a população não está interessada em ficar rememorando o que passou. “É uma questão de justiça  e que está sendo apurado e trabalhado. Vence na campanha quem tem as melhores propostas para a população do Distrito Federal e é dentro desse projeto que o PSC está com a candidatura de Joaquim Roriz”, destaca.
Campos destaca que sua sigla tem um projeto para Brasília que será submetido durante a campanha. “Nós não estamos fazendo nosso projeto olhando quem vai ser nosso concorrente. Nosso projeto é uma alternativa a tudo isso que está instalado aí. Já era antes da crise e continua sendo depois da crise”, conclui.

A culpa é do eleitor

[legenda=Gustavo é contra processo de intervenção][credito=Foto: Valdir Messias/Cedoc]Para Vigilante, a Câmara Legislativa é fundamental, mas os eleitores votaram errado. “A Câmara hoje é fruto da baixa consciência política do Distrito Federal. Urna não é penico. Tudo isso que aconteceu merece uma grande reflexão do povo para que nas próximas eleições as pessoas verifiquem o passado e o presente que apontam para o futuro de cada candidato”, destaca.


O líder petista diz ainda que o esquema denunciado no escândalo político de Brasília já acontecia há muito tempo. “Essa história de pagar deputado na Câmara Legislativa vem dos tempos do Roriz, e que infelizmente não foi ceifado. O Arruda preferiu entrar no jogo e se deu mal. Politicamente ele acabou. Ele teve a grande oportunidade de passar Brasília a limpo e preferiu se aliar àqueles métodos condenáveis”, comenta. O dirigente diz esperar que o próximo governador não cometa o mesmo erro e que lutará muito para que ele seja o Agnelo. “Mas eu lutarei acima de tudo para que os eleitores façam a parte deles. A culpa é toda do eleitor. Foram todos eleitos”, reforça.


O presidente do PSB-DF, Rodrigo Rollemberg considera que é preciso mudar completamente a forma de fazer política. “Não se pode usar dinheiro público em proveito pessoal, como vemos de vez em quando políticos fazendo. É o fim da política do rouba, mas faz.  A população hoje está consciente que se fizer sem roubar, vai poder fazer muito mais e as carências da população são muito grandes”.


Aprofundamento pontual

Tadeu Filippelli, presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) no DF, acredita que poderá ainda haver aprofundamento da crise em alguns segmentos envolvidos nas denúncias do escândalo político, mas que será algo pontual. “Mas no total, o que nós tínhamos que sofrer, já sofremos. A crise já representou o sofrimento, já provocou o prejuízo”, ressalta.


Para Filippelli, a crise é tamanha e exige uma atenção especial de todos aqueles que exercem a vida pública e política do DF. Em primeiro lugar, o líder peemedebista desperta para o fato de que a crise é impar, pois nunca aconteceu crise dessa magnitude. “Subordinar o equacionamento dessa crise a um projeto pessoal ou partidário seria um desrespeito a Brasília, por isso o PMDB está disposto a trabalhar numa verdadeira união com todas as demais correntes políticas de Brasília.

 

Independentemente das coligações históricas anteriores para superar esse momento”, reforça.
No Partido Socialista Brasileiro (PSB) local, o presidente Rodrigo Rollemberg também acha que o pior da crise já passou, mas que ainda há muito por vir. “As investigações ainda não terminaram e provavelmente ainda teremos muitos fatos novos”, alerta. Ele acha que a Câmara Legislativa ainda não fez o que deveria e falhou em ter interrompido as investigações contra os parlamentares citados no escândalo. “Isso tudo acaba contribuindo para que tenhamos ainda  uma possibilidade política de intervenção”, observa. Para Rollemberg, a  única forma de os deputados resgatarem a imagem da instituição é punir de forma muito rigorosa todos aqueles que comprometeram a imagem  da Casa. “Se a Câmara através de acordos internos dos deputados quiser abafar qualquer tipo de denúncia isso vai acabar comprometendo a instituição como um todo”, observa.


O presidente do Partido dos Trabalhadores no DF (PT), Chico Vigilante não concorda que o pior da crise tenha passado. “As investigações da Polícia Federal continuam em curso, o governador continua preso, portanto a cidade continua ingovernável, à medida que tem um governador preso e outro que não tem capacidade gerencial e administrativa nenhuma”, avalia.


Vigilante considera que existe hoje uma insegurança jurídica muito grande no Distrito Federal, pois quem iria querer investir em Brasília sem saber qual é o futuro dela nos próximos nove meses? “É uma situação gravíssima”, reforça.


Atenção ao Legislativo

[legenda=Para Eduardo Brandão, clima de tensão se acalmou um pouco][credito=Foto: Cesar Moura]A necessidade urgente de discussão da reforma política é uma das consequências dessa crise, segundo o presidente do PV-DF, Eduardo Brandão. Para ele, se o próximo governo nacional e o próximo Congresso Nacional não se debruçarem profundamente na discussão da reforma política, corre-se o risco de se repetir episódios como o de Brasília no país inteiro.


Brandão reforça que há uma visão negativa da reforma política e do financiamento público de campanha que é equivocada. “Muitos acham que vão dar mais dinheiro para político. Eu acho que é um equívoco muito grande porque na verdade à medida que você começa a dar condição de competitividade aos políticos para que eles possam levar suas propostas e fazer suas campanhas de uma forma igualitária, a população vai ter mais chance de escolher”, argumenta. Com esse sistema, aponta Brandão, que os políticos que não trabalham com essas operações que foram mostradas pela Caixa de Pandora (operação da Polícia Federal que desarticulou o mensalão de Brasília), terão condições de se eleger.


Brandão reforça que o processo eleitoral brasileiro tem uma deformação que precisa ser corrigida e isso deve ser discutido com a sociedade. “Essa questão do voto proporcional, eu acho que nós tínhamos que evoluir para o voto distrital, o voto distrital misto, a lista onde as pessoas tenham um compromisso partidário. Todas essas discussões, eu acho que seriam o grande ganho para a sociedade brasileira a partir dessa crise”, comenta o dirigente do PV.


Brandão destaca que o escândalo em Brasília revelou um problema que não é exclusivo da capital federal, mas acontece em todo o país. “Não adianta a gente dizer que foi uma exclusividade de Brasília. Aqui teve um processo mais agudo, acho que de alguma forma a sociedade conseguiu respostas, quer queira quer não, na esfera do país você tem o primeiro governador que foi preso, então isso por mais doloroso que seja é importante que a gente pense não no processo pontual”, avalia.


Para o presidente do PDT-DF, Ezequiel Nascimento, a sociedade de maneira geral está com um sentimento de serenidade e será extremamente dura com determinados partidos e com determinadas práticas de governantes. “Me parece que esse sentimento começa a se consolidar. O eleitor estará mais atento porque ele errou profundamente, e isso é cultural, em relação à Câmara Legislativa”, analisa.


Ezequiel destaca que o governador em tese não tem poder nenhum. Todo o poder está na Câmara Legislativa, no entanto se o governador se apodera do outro poder então vira um faraó. Para o líder do PDT no DF, a sociedade brasiliense se desinteressou da Câmara Legislativa e isso fez com que o nível dos eleitos fosse caindo cada vez mais e mais rapidamente. Ele ressalta que apesar das exceções, o nível dos parlamentares é muito ruim. “O nível seja de formação, seja de caráter é muito ruim e agrega-se a isso um fator ainda pior que é a falta de fiscalização por parte da sociedade”, comenta.


A proposta do PDT para a campanha eleitoral deste ano, segundo Ezequiel, é tentar resgatar o desejo do cidadão de participar como cidadão, ou seja, escolher corretamente e perceber que o poder mais importante é o Legislativo e não o Executivo. “É claro que não podemos prescindir nem de um nem de outro poder, mas a atenção que deve se ter com a eleição de um deputado distrital é maior do que a atenção que vai se dispensar ao governador, até porque este vai estar mais em evidência enquanto não se trata de cada um dos 700 ou 800 candidatos a distrital”, explica.


Ezequiel comenta que em outros países não há políticos mais honestos do que no Brasil, o que diferencia o nível político é o grau maior de cidadania. “Se a crise não servir para isso, para despertar essa cidadania que está querendo acontecer, terá sido um grande sofrimento em vão. E não pode ser. Esses grandes acontecimentos servem para nos despertar. Eu espero que isso ocorra não entre os eleitos, porque eu não espero nada deles, eu espero dos eleitores”, conclui Ezequiel Nascimento.
O presidente do PT-DF, Chico Vigilante reforça que a política não pode ser o jogo do vale-tudo. “É preferível perder uma eleição do que se aliar, como fez o Arruda, com Deus e o diabo. Ele hoje é vítima das próprias alianças dele. Não vale tudo, não. Não pode ser esse jogo”.


Classificação Atual       ( 0 ) Dê a sua classificação:      


É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Grupo Comunidade

Home | Contato | Expediente | Anuncie | Receba nossas Publicações

Grupo Comunidade de Comunicação © 2008 | Política de Privacidade | Termos de uso