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Luis Ricardo Machado
lteixeira@jornalcoletivo.com.br Redação Jornal da Comunidade
Há 32 anos fazendo parte do quadro de funcionários da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), o arquiteto e urbanista Dalmo Alexandre Costa assumiu o desafio de presidir a companhia após passar por vários cargos dentro da empresa e bater o recorde de vendas como diretor comercial. Seu antecessor, o advogado Antônio Gomes, deixou o cargo após o Partido Democratas (DEM) determinar a saída de todos os filiados que exercessem cargos de confiança do Governo do Distrito Federal (GDF). Empossado de forma interina, Dalmo Alexandre afirma que a crise política não afetará os projetos traçados pela última gestão e salienta que “Brasília continuará crescendo e os recursos arrecadados pela empresa direcionados para a infraestrutura da capital”. Veja a entrevista concedida pelo novo presidente com exclusividade para o Jornal da Comunidade.
O senhor assumiu a presidência da Terracap após uma decisão do Conselho de Administração (CONAD) da empresa. Esta gestão é interina?
Estou na condição de provisório em vias de ser efetivado no cargo.
E há a pretensão de implantar alguma mudança nas metas já traçadas pela gestão anterior?
Não porque estas metas já foram muito bem definidas quando nós elaboramos a programação de ação da empresa ao longo do ano. Isto inclusive guarda um compromisso estreito com o orçamento que a empresa tem de cumprir e ao qual estão vinculados programas governamentais. Então não há porque nós pensarmos em promover alterações com relação ao cumprimento de metas por parte da empresa.
E quais são os compromissos estipulados pela empresa?
O primeiro é a geração de recursos para que o governo possa implantar infraestrutura urbana nos diversos setores que compõem o território do Distrito Federal. Isto faz parte do estatuto social da Terracap e faz parte também da sua lei de criação. Então este é um compromisso que independe de qualquer comando governamental para que ele seja concebido.
De que forma esses recursos serão obtidos?
Eles são obtidos por meio da arrecadação oriundas das vendas que nós promovemos das licitações públicas. Isto segue um cronograma de execução estipulado ao longo do ano. A nossa programação prevê a realização de uma licitação por mês e os recursos arrecadados, como me referi anteriormente, são direcionados para o governo para que ele possa realizar suas obras.
Mas esta é a única forma que a companhia tem de arrecadar recursos?
Evidentemente a venda de terrenos não é a única forma que temos de obter recursos. Esta é sua principal fonte de arrecadação, mas nós também promovemos a seção de terrenos para o Distrito Federal, para uso do DF, através de suas diversas secretarias, para atendimento das questões de ordem social. Por exemplo, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab), que atua junto à Secretaria de Habitação, recebe terrenos que a Terracap repassa para que ela possa cumprir a parte social do governo no que diz respeito ao atendimento à população carente do DF.
Além da licitação de lotes, quais as metas para este ano?
Temos as licitações mensais como já me referi, pretendemos superar a arrecadação da ordem de R$ 1,5 bilhão até o final do ano e já temos projetos em vias de liberação que viabilizam o alcance deste objetivo. Então nós dirigimos evidentemente nossas ações neste sentido.
De que forma este recurso será aplicado pelo governo?
Todos os recursos arrecadados pela Terracap são encaminhados ao GDF, que aplica nas obras distribuídas por todo o Distrito Federal. Com isto a população ganha em infraestrutura e nas melhorias nos mais diversos setores.
Como a Terracap vem se colocando em relação aos condomínios irregulares?
Já está sendo discutido com os representantes desta camada da população e já há alguns entendimentos sobre como se vai proceder no sentido de atender tanto às recomendações oriundas dos nossos órgãos fiscalizadores, que são fundamentalmente o Tribunal de Contas do Distrito Federal e a Corregedoria Geral do DF, e também os interesses da população que é alcançada por este processo de regularização. Então deste entendimento surge o bom senso que vai permitir a finalização do processo de regularização dos condomínios. Nós já estamos atingindo um ponto onde poderemos dar continuidade às discussões que estão em andamento para que a gente possa montar o desenho final e submetê-lo ao crivo dos nossos órgãos de fiscalização para a sua efetiva implementação.
Outro projeto que a Terracap vem trabalhando é o Orla do Lago. Como anda esta proposta?
O Projeto Orla ainda está em fase de elaboração e detalhamento de diversos setores. Foi proposto no ponto de vista macro urbanístico, onde você tem uma definição do que pode ocorrer nos diversos pontos que são alcançados pelo Projeto Orla, mas não há ainda um detalhamento específico deste projeto. Então do ponto de vista urbano ele está sendo estudado neste momento para verificar como as funções urbanas poderão melhor ser distribuídas ao longo deste projeto.
Além desses projetos o senhor poderia enumerar outras metas que a companhia esteja trabalhando?
Temos alguns projetos para serem implantados este ano e são projetos que estão em fase de implementação como, por exemplo, a Torre de TV Digital, a liberação da 2ª etapa do Setor Taquari, a 2ª etapa do Setor Noroeste para um curto espaço de tempo e a Capital Digital, que é um pólo destinado a conter basicamente empresas que operam no ramo de informática e que está sendo estudada a forma de promover a sua ocupação juntamente com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
A Capital Digital é um projeto que vem se arrastando há algum tempo. O que está faltando para que este pólo saia do papel?
Acredito que não haja maiores empecilhos. A dificuldade maior não é nem em relação ao Banco do Brasil ou à Caixa Econômica, porque já estão com a situação referente aos terrenos devidamente regularizados. Agora o que está se estudando é a sistemática de ocupação do solo em um terreno de 1 milhão de metros quadrados, que tem um valor de mercado muito elevado e que dificilmente poderia ser absolvido de uma vez só por aqueles que têm o interesse em se implantar na área. Então o que o governo está estudando agora é qual a forma mais eficiente de se ocupar o solo e ao mesmo tempo adotar os cuidados necessários para que o erário público seja preservado.
Em relação à torre de TV Digital, a obra ficará pronta para o aniversário de Brasília?
Nosso entendimento é que a Torre vai ficar pronta e a intenção é que ela esteja devidamente ocupada até o aniversário de Brasília. Para isto a Terracap já está estudando qual é a forma que vai se dar a ocupação da torre, porque enquanto empresa pública temos de analisar os mecanismos que temos a nossa disposição para podermos disponibilizar os espaços que lá se encontram.
Brasília passa por uma crise política. Isto afetou à Terracap de alguma forma ou a companhia caminha à parte em relação a esta questão?
No meu entendimento não há qualquer interferência da crise política com a questão econômica, principalmente no segmento ao qual a Terracap está vinculado. Prova disto é que a economia do Distrito Federal continua forte e funcionando a pleno vapor, crescendo inclusive, e isto em momento algum afeta as ações da Terracap com relação à sua missão. Isto independe de comando de governo para que ela seja cumprida.
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