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A profissão do momento

Com o aumento das vendas de imóveis, cresceu o número de corretores. Mas o setor imobiliário registra déficit de profissionais registrados e contraventores ocupam o espaço

Tamanho da Fonte     MARÔA POZZEBOM
mcardoso@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade

[legenda=Ao comprar um imóvel, cliente deve checar se corretor que está prestando o serviço tem registro profissional][credito=Foto: Dênio Simões]Adquirir a casa própria é o sonho de milhões de brasileiros. E nada melhor, para ajudá-los a concretizar esse sonho, do que um corretor de imóveis. Com o aquecimento do mercado, a profissão ficou em alta. Contudo, apesar do aumento do número desses profissionais, há um déficit de corretores no setor.


De acordo com levantamento feito pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis, o número de profissionais aumentou 11,5% em todo o Brasil em 2009, mas isso não tem sido suficiente para atender toda a demanda por moradia no país. Hoje em dia são 211 mil corretores de imóveis em atividade e 35 mil imobiliárias atuando em todo o território nacional. O Distrito Federal foi o terceiro mercado que mais absorveu novos corretores.


O problema é que nem sempre os profissionais são registrados nos conselhos regionais de corretores de imóveis. Estes, portanto, não são corretores, mas contraventores. É necessário, portanto, que os clientes tomem alguns cuidados para que o sonho e as economias de toda uma vida não sejam destruídos. Antes de fechar um negócio, o potencial comprador deve exigir desse profissional a cédula de identidade expedida pelos conselhos regionais, de cor verde, ou a carteira profissional, também expedida pelos conselhos, de cor vermelha.


Na dúvida, não se deve assinar documento e nem disponibilizar informações pessoais do imóvel.  No site do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Distrito Federal (Creci-DF) é possível retirar uma certidão de regularidade do corretor que está oferecendo seu serviço. A verificação é essencial porque, em alguns casos, a carteira pode ter sido cassada, ou o corretor de imóveis pode estar  enfrentando um processo de indisciplina.

Autuações

Atualmente são 14 mil corretores atuando com registro profissional no DF, mas ainda podemos notar a presença de contraventores atuando no mercado sem competência e responsabilidade. Segundo dados do Conselho Federal de Corretores de Imóveis, no ano de 2008 as autuações chegaram a 9.949. E em 2009 as autuações de corretores falsos caíram para 9.049 . A queda foi de 1%, porém, se essa diminuição for comparada com o crescimento de corretores cadastrados, a redução é expressiva.


Mas essa “farra” dos contraventores teve um freio quando a corretagem deixou de ser uma profissão jovem e conselhos regionais começaram a ser montados nos estados brasileiros. De acordo com o presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis, João Teodoro Silva, a profissão tornou-se atraente devido aos grandes lucros em curtos espaços de tempo, mas enganar os clientes é algo complicado, pois eles buscam corretores que possuem um diferencial.


Cliente deve checar registro do corretor

 

[legenda=Hermes Alcântara quer que os clientes denunciem os contraventores][credito=Foto: Rose Brasil]A comissão cobrada pela corretagem também é algo a ser verificado. O valor obrigatório é de 5%, mas essa porcentagem é dividida com a imobiliária, caso o corretor seja associado. E o máximo a ser cobrado é 6% no caso de imóveis urbanos.


Hermes Alcântara, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Distrito Federal (Creci-DF), alerta que, além de ter todos esses cuidados, o interessado na comercialização de um empreendimento também deve verificar o contrato de exclusividade de venda do imóvel, principalmente no caso de empreendimentos novos. E no momento em que localizar um contraventor não deve deixar de denunciar na delegacia mais próxima e nos conselhos regionais.


“Sempre que os corretores de imóveis são contratados, é necessário verificar a legalidade deles. E todo empreendimento novo que vai ser vendido tem de autorizar essa venda para os corretores. A fiscalização atua constantemente no sentido de retirar do mercado esses infratores. Quem atua como corretor sem ter o curso específico nem a carteira do Creci comete uma contravenção penal e, por isso, pode pegar de 15 dias a três meses de prisão, além de ser obrigado a pagar multa de até R$ 3.500. O primeiro erro parte do comprador, que não procura saber se aquele corretor é ou não credenciado. A denúncia da população também é essencial”, explica Alcântara.


Acredita-se que os falsos corretores de imóveis geram prejuízos para as pessoas que pretendem comprar ou vender seus imóveis por causa dos grandes lucros que o mercado imobiliário tem oferecido. Por mês, um corretor em início de carreira ganha, no Brasil, em média, de R$ 2 mil a R$ 3 mil. No DF essa média sobe para R$ 5 mil. Brasília e São Paulo têm sido as capitais mais almejadas pelos contraventores. Afinal, o metro quadrado gira em torno de R$ 12 mil em Brasília, ou seja, aumenta a chance de faturar uma bolada em uma única venda. Há negócios em que a comissão pode chegar a R$ 100 mil. Esse cenário positivo, de lucros elevados em curto prazo, atrai os falsos corretores. Além disso, eles não precisam gastar os lucros pagando honorários às imobiliárias. Na avaliação do presidente do Creci-DF, Hermes Alcântara, muita gente não confia no trabalho do corretor. “Os picaretas mancham a nossa imagem”, queixa-se.


Sonho virou pesadelo

A pensionista Isis Belo de Oliveira, 69 anos, viu seu sonho virar pesadelo. Há 25 anos ela vendeu a única casa que tinha no Guará II para comprar um apartamento de dois quartos no centro de Ceilândia.  A oferta era tentadora. Por mais que o preço do imóvel fosse alto, o empreendimento oferecia todas as vantagens de um condomínio e ela ainda utilizaria o restante do dinheiro para ajudar a quitar algumas dívidas pessoais. O sinal foi de R$ 10 mil na época e passou cerca de três anos pagando uma prestação mensal de R$ 200. Mas, quando os quatro anos se passaram, ela descobriu que nem mesmo uma pilar havia sido construída no terreno vazio. A construtora tinha aberto falência e o dono vinha atuando como corretor sem ter registro profissional. Isis conseguiu recuperar parte do dinheiro através de longos processos judiciais e garante que nunca vai esquecer a decepção que teve.


“Lembro como se fosse hoje quando fui ao local e não tinha nenhuma construção. Senti como se tivesse jogado todo o meu sacrifício no lixo. Fiquei sem chão. Aquele dinheiro era o único que tinha para oferecer uma moradia ao meu filho recém-casado. E depois dessa decepção ainda tive de passar anos da minha vida correndo atrás do picareta para devolver o meu dinheiro. No final, depois de tantos acordos judiciais, ainda tive de aceitar uma negociação. Foram duas décadas desperdiçadas com esse problema. Hoje, tenho parte do dinheiro de volta, mas não o meu sonho”.


Para exercer a profissão de corretor de imóveis é necessário ter o curso técnico em transações imobiliárias, que dura cerca de 800 horas. Outra opção é o curso superior de tecnólogo em gestão imobiliária, com 1.600 horas de duração. Mas vantagens como salários altos e liberdade profissional  incentivam advogados, engenheiros e economistas a migrar para a corretagem.  Antes, a atividade era vista como uma oportunidade para ganhar um dinheiro extra, mas atualmente a corretagem virou profissão cobiçada por jovens recém-formados. Com o aquecimento no mercado, aumentou a exigência de profissionais especializados e em constante formação.


Fúlvio Freire Gomes, 23 anos, estuda direito e atua como corretor de imóveis há três anos. Ele é dono da imobiliária Fúlvio Imóveis, em Caldas Novas (GO) e considera que, além de especialização e registro profissional, o corretor deve ter bastante habilidade. Segundo Fúlvio, é necessário conhecimento de mercado, legislação, noções de matemática financeira e arquitetura. Estudar os valores dos imóveis da região em que irá trabalhar é imprescindível. Além disso, precisa ter bastante paciência, porque, em alguns casos, fica apenas no aguardo dos clientes. Para completar , precisa entender muito de relações humanas. O corretor ressalta ainda os problemas que tem encontrado com o crescimento dos contraventores no mercado.


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