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O
chamado cinema western, também popularizado sob os termos “filmes de
cowboys” ou “filmes de faroeste”, compõe um gênero clássico do cinema
norte-americano, ainda que outros países tenham produzido longas com
essa temática, tal qual ocorreu na Itália, com o western spaghetti. Para
quem não sabe, o termo inglês western significa “ocidental” e se refere
à fronteira do Oeste norte-americano durante a colonização. Esta região
era também chamada de far west – de onde provém o termo usado no
Brasil, “faroeste”.
Ainda que este tenha sido um dos gêneros
cinematográficos mais populares da história do cinema e tenha muitos fãs
até hoje, a produção de filmes do estilo é praticamente residual na
atualidade, com algumas tentativas de diretores recentes. Mas, ao
discorrerem sobre o tema, os cinéfilos logo remetem-se à época áurea, em
que imperavam nomes como John Ford, Howard Hawks, entre outros.
Já
para quem deseja matar a saudade do gênero, vale conferir a mostra
Faroeste Spaghetti: O bangue-bangue à italiana, que traz produções
realizadas entre 1960 e 1976 pela Itália, sendo alguns coproduzidos por
outros países europeus e os Estados Unidos. Serão três semanas de
exibições no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Na
estreia, dois clássicos, Keoma e Era uma vez no Oeste (este último
assinado por Sergio Leone e com Charles Bronson e Claudia Cardinale no
elenco).
Uma seleção de produções clássicas e raras
Sob curadoria de Alexandre Sivolella, estão 20 filmes essenciais, em cópias de 35 mm, muitas trazidas diretamente da Itália, com apoio do Instituto Italiano de Cultura. “A mostra passará ainda pelo CCBB do Rio e São Paulo, mas terá sua estreia em Brasília. Tive de buscar os filmes em cinematecas do mundo todo. São produções raras, que não são encontradas em um único país. Levei três meses para reunir tudo”, conta o curador.
De
acordo com Alexandre, a mostra inclui títulos como Por um punhado de
dólares e O dia da desforra, feitos por cineastas europeus que
revolucionaram o gênero norte-americano por natureza. “Os
longas-metragens vieram da Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Itália
e Escócia. Representam o faroeste clássico e traz o processo de
formação da nação americana”, afirma o entusiasta e fã do estilo
cinematográfico. “Minha ideia foi criar uma mostra para resgatar a
importância desse gênero, que era considerado menor”, completa.
O
projeto contempla, ainda, várias fases do faroeste. “Sergio Leone,
considerado um dos gênios desse estilo, terá cinco filmes na
programação. São produções que trazem um contexto histórico, revelam
conflitos na fronteira entre EUA e México, falam sobre política,
revolução mexicana etc”, enumera.
A mostra traz fitas que são
verdadeiras aulas de cinema, com tratamentos inovadores em termos de
linguagem cinematográfica e na forma como o som e a música podem ser
usados. Além da exibição dos longas, o público poderá conferir um debate
sobre as relações entre o faroeste americano clássico e o faroeste
spaghetti, de modo a desdobrar as questões propostas pelo conjunto de
filmes. Marcado para começar às 20h do dia 3 de agosto, o debate contará
com a presença de Fábio Andrade, editor da revista Cinética, músico e
roteirista, e Sérgio Moriconi, jornalista, cineasta e professor de
cinema. A entrada é franca.
Faroeste Spaghetti: O
bangue-bangue à italiana visa levar os espectadores a reviverem
sensações da infância e da adolescência, além de reverem rostos
conhecidos, como os atores Giuliano Gema e Terence Hill, assim como
escutarem, mais uma vez, as trilhas de Ennio Morricone, que se tornaram
sinônimo do gênero. Outros, mais jovens, têm a oportunidade de conhecer
um legado que modificou sensivelmente a história do cinema. “Os filmes
selecionados apresentam um painel abrangente, que nos permite pensar e
discutir questões como a construção e a desconstrução do mito do herói, a
relação do homem com uma natureza vista como agressiva e selvagem, e o
papel fundamental da música para o cinema, ao apreciar a dedicação de
mestres cinematográficos a uma arte de repercussão popular”, avisa o
curador.
FAROESTE SPAGHETTI: O BANGUE-BANGUE À ITALIANA
De 3 a
22 de agosto, no cinema do CCBB (SCES, trecho 2). Ingressos a R$ 4 e R$
2 (meia).
Uma breve história
O
faroeste spaghetti, como é popularmente conhecido o western feito na
Itália, teve início na década de 1960, quando a indústria
cinematográfica local resolveu investir em um gênero já consagrado e de
produção até então restrita aos Estados Unidos. Surpreendentemente, a
visão europeia do Velho Oeste revelou-se, em alguns filmes, bem mais
crua e esteticamente desenvolvida do que em muitos filmes americanos,
nos quais os heróis, limpos e barbeados, eram verdadeiros exemplos de
virtude.
Graças ao padrão estabelecido pelos primeiros
diretores italianos do gênero, especialmente por Sergio Leone e Sergio
Corbucci, as tramas se desenvolviam de maneira mais direta, com um clima
sombrio e tendo a vingança como temática principal. O “mocinho” era
quase sempre um homem sujo, malvestido, de motivações misteriosas e
caráter duvidoso. Um tipo de poucos escrúpulos, que enfrenta vilões
protegidos por um exército de bandoleiros em cidades imundas e hostis,
onde a civilização ainda está por ser concretizada. Nas tramas, filmadas
na Europa, em locais secos e inóspitos como a Almeria, na Espanha, ou a
Sardenha, na Itália, eram frequentes temas como as questões
fronteiriças entre o México e os EUA e a bandidagem mexicana.
O
novo enfoque estimulou os compositores italianos a fugirem da pompa e
das grandes orquestras, estilo consagrado em Hollywood. O grande
precursor da trilha sonora dos faroestes italianos foi Ennio Morricone,
que traçou um estilo próprio para compor música, com a utilização de
assovios melódicos, corais estranhos e instrumentos inusitados. Seu
primeiro clássico foi a trilha de Por um punhado de dólares, seguido de
outras parcerias com Sergio Leone.
Encarnando os heróis dos
filmes, estão vários atores norte-americanos e europeus então
desconhecidos ou que não tinham chance no mercado americano: Clint
Eastwood, Lee Van Cleef, Franco Nero, Giuliano Gema e Terence Hill.
Terminada
a década de 1960, e já em meados da de 1970, o gênero foi desaparecendo
gradualmente das telas, dando lugar a novas tendências que agradavam ao
público, como filmes policiais e de lutas marciais. Para o cinema
italiano, foi o fim de seu período mais popular e rentável.
Programção
3/08
15h – Keoma – 14 anos
17h – Era uma vez no Oeste – 14 anos
20h – Debate: O Faroeste Clássico Americano e o Faroeste
Spaghetti
4/08
16h – Eles me chamam Trinity – 12 anos
18h – Sartana – 14 anos
20h – Uma bala para o general – 12 anos
5/08
16h – Viva Django! – 16 anos
18h – Trinity – Ainda é meu nome – 12 anos
20h – O dia da desforra – 14 anos
6/08
16h – Sartana – 14 anos
18h – Django – 14 anos
20h – Keoma – 14 anos
7/08
16h – Sabata – 14 anos
18h – O retorno de Sabata – 14 anos
20h – Meu nome é Ninguém – 14 anos
8/08
16h – Os violentos vão para o inferno – 14 anos
18h – Trinity – A colina dos homens maus – 12 anos
20h – A morte anda a cavalo – 14 anos
10/08
16h – Eles me chamam Trinity – 12 anos
18h – Viva Django! – 16 anos
20h – Vamos matar, companheiros – 14 anos
11/08
16h – Sabata – 14 anos
18h – Por um punhado de dólares – 14 anos
20h – Uma bala para o general – 12 anos
12/08
17h – Django – 14 anos
19h – Era uma vez no Oeste – 14 anos
13/08
17h – Keoma – 14 anos
19h – Por uns dólares a mais – 12 anos
14/08
17h – Os violentos vão para o inferno – 14 anos
19h – Três homens em conflito – 14 anos
15/08
17h – Sartana – 14 anos
19h – Quando explode a vingança – 14 anos
17/08
17h – Trinity – Ainda é meu nome – 12 anos
19h – A morte anda a cavalo – 14 anos
18/08
17h – O retorno de Sabata – 14 anos
19h – Quando explode a vingança – 14 anos
19/08
17h – Trinity – A colina dos homens maus – 12 anos
19h – Vamos matar, companheiros – 14 anos
20/08
17h – Por um punhado de dólares – 14 anos
19h – Três homens em conflito – 14 anos
21/08
17h – Vamos matar, companheiros – 14 anos
19h – Por uns dólares a mais – 12 anos
22/08
14h – Quando explode a vingança – 14 anos
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