Número 1

 Enviar matéria por e-mail

Entre cowboys, vilões e xerifes

A mostra Faroeste Spaghetti: O bangue-bangue à italiana resgata o popular gênero que consagrou nomes como Clint Eastwood e Charles Bronson. A programação reúne 20 filmes italianos, alguns feitos em coprodução com outros países europeus e os Estados Unidos

Tamanho da Fonte      Redação Jornal da Comunidade

[legenda=Por um punhado de dólares (1964), de Sergio Leone, é um dos destaques da mostra cinematográfica no CCBB]O chamado cinema western, também popularizado sob os termos “filmes de cowboys” ou “filmes de faroeste”, compõe um gênero clássico do cinema norte-americano, ainda que outros países tenham produzido longas com essa temática, tal qual ocorreu na Itália, com o western spaghetti. Para quem não sabe, o termo inglês western significa “ocidental” e se refere à fronteira do Oeste norte-americano durante a colonização. Esta região era também chamada de far west – de onde provém o termo usado no Brasil, “faroeste”.


Ainda que este tenha sido um dos gêneros cinematográficos mais populares da história do cinema e tenha muitos fãs até hoje, a produção de filmes do estilo é praticamente residual na atualidade, com algumas tentativas de diretores recentes. Mas, ao discorrerem sobre o tema, os cinéfilos logo remetem-se à época áurea, em que imperavam nomes como John Ford, Howard Hawks, entre outros.


Já para quem deseja matar a saudade do gênero, vale conferir a mostra Faroeste Spaghetti: O bangue-bangue à italiana, que traz produções realizadas entre 1960 e 1976 pela Itália, sendo alguns coproduzidos por outros países europeus e os Estados Unidos. Serão três semanas de exibições no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Na estreia, dois clássicos, Keoma e Era uma vez no Oeste (este último assinado por Sergio Leone e com Charles Bronson e Claudia Cardinale no elenco).


Uma seleção de produções clássicas e raras

 

Sob curadoria de Alexandre Sivolella, estão 20 filmes essenciais, em cópias de 35 mm, muitas trazidas diretamente da Itália, com apoio do Instituto Italiano de Cultura. “A mostra passará ainda pelo CCBB do Rio e São Paulo, mas terá sua estreia em Brasília. Tive de buscar os filmes em cinematecas do mundo todo. São produções raras, que não são encontradas em um único país. Levei três meses para reunir tudo”, conta o curador.


De acordo com Alexandre, a mostra inclui títulos como Por um punhado de dólares e O dia da desforra, feitos por cineastas europeus que revolucionaram o gênero norte-americano por natureza. “Os longas-metragens vieram da Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Itália e Escócia. Representam o faroeste clássico e traz o processo de formação da nação americana”, afirma o entusiasta e fã do estilo cinematográfico. “Minha ideia foi criar uma mostra para resgatar a importância desse gênero, que era considerado menor”, completa.


O projeto contempla, ainda, várias fases do faroeste. “Sergio Leone, considerado um dos gênios desse estilo, terá cinco filmes na programação. São produções que trazem um contexto histórico, revelam conflitos na fronteira entre EUA e México, falam sobre política, revolução mexicana etc”, enumera.


A mostra traz fitas que são verdadeiras aulas de cinema, com tratamentos inovadores em termos de linguagem cinematográfica e na forma como o som e a música podem ser usados. Além da exibição dos longas, o público poderá conferir um debate sobre as relações entre o faroeste americano clássico e o faroeste spaghetti, de modo a desdobrar as questões propostas pelo conjunto de filmes. Marcado para começar às 20h do dia 3 de agosto, o debate contará com a presença de Fábio Andrade, editor da revista Cinética, músico e roteirista, e Sérgio Moriconi, jornalista, cineasta e professor de cinema. A entrada é franca.


Faroeste Spaghetti: O bangue-bangue à italiana visa levar os espectadores a reviverem sensações da infância e da adolescência, além de reverem rostos conhecidos, como os atores Giuliano Gema e Terence Hill, assim como escutarem, mais uma vez, as trilhas de Ennio Morricone, que se tornaram sinônimo do gênero. Outros, mais jovens, têm a oportunidade de conhecer um legado que modificou sensivelmente a história do cinema. “Os filmes selecionados apresentam um painel abrangente, que nos permite pensar e discutir questões como a construção e a desconstrução do mito do herói, a relação do homem com uma natureza vista como agressiva e selvagem, e o papel fundamental da música para o cinema, ao apreciar a dedicação de mestres cinematográficos a uma arte de repercussão popular”, avisa o curador.

FAROESTE SPAGHETTI: O BANGUE-BANGUE À ITALIANA
De 3 a 22 de agosto, no cinema do CCBB (SCES, trecho 2). Ingressos a R$ 4 e R$ 2 (meia).

 

Uma breve história

[legenda=[legenda=Por um punhado de dólares (1964), de Sergio Leone, é um dos destaques da mostra cinematográfica no CCBB]O chamado cinema western, também popularizado sob os termos “filmes de cowboys” ou “filmes de faroeste”, compõe um gênero clássico do cinema norte-americano, ainda que outros países tenham produzido longas com essa temática, tal qual ocorreu na Itália, com o western spaghetti. Para quem não sabe, o termo inglês western significa “ocidental” e se refere à fronteira do Oeste norte-americano durante a colonização. Esta região era também chamada de far west – de onde provém o termo usado no Brasil, “faroeste”.   Ainda que este tenha sido um dos gêneros cinematográficos mais populares da história do cinema e tenha muitos fãs até hoje, a produção de filmes do estilo é praticamente residual na atualidade, com algumas tentativas de diretores recentes. Mas, ao discorrerem sobre o tema, os cinéfilos logo remetem-se à época áurea, em que imperavam nomes como John Ford, Howard Hawks, entre outros.   Já para quem deseja matar a saudade do gênero, vale conferir a mostra Faroeste Spaghetti: O bangue-bangue à italiana, que traz produções realizadas entre 1960 e 1976 pela Itália, sendo alguns coproduzidos por outros países europeus e os Estados Unidos. Serão três semanas de exibições no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Na estreia, dois clássicos, Keoma e Era uma vez no Oeste (este último assinado por Sergio Leone e com Charles Bronson e Claudia Cardinale no elenco).   Uma seleção de produções clássicas e raras   Sob curadoria de Alexandre Sivolella, estão 20 filmes essenciais, em cópias de 35 mm, muitas trazidas diretamente da Itália, com apoio do Instituto Italiano de Cultura. “A mostra passará ainda pelo CCBB do Rio e São Paulo, mas terá sua estreia em Brasília. Tive de buscar os filmes em cinematecas do mundo todo. São produções raras, que não são encontradas em um único país. Levei três meses para reunir tudo”, conta o curador.   De acordo com Alexandre, a mostra inclui títulos como Por um punhado de dólares e O dia da desforra, feitos por cineastas europeus que revolucionaram o gênero norte-americano por natureza. “Os longas-metragens vieram da Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Itália e Escócia. Representam o faroeste clássico e traz o processo de formação da nação americana”, afirma o entusiasta e fã do estilo cinematográfico. “Minha ideia foi criar uma mostra para resgatar a importância desse gênero, que era considerado menor”, completa.   O projeto contempla, ainda, várias fases do faroeste. “Sergio Leone, considerado um dos gênios desse estilo, terá cinco filmes na programação. São produções que trazem um contexto histórico, revelam conflitos na fronteira entre EUA e México, falam sobre política, revolução mexicana etc”, enumera.   A mostra traz fitas que são verdadeiras aulas de cinema, com tratamentos inovadores em termos de linguagem cinematográfica e na forma como o som e a música podem ser usados. Além da exibição dos longas, o público poderá conferir um debate sobre as relações entre o faroeste americano clássico e o faroeste spaghetti, de modo a desdobrar as questões propostas pelo conjunto de filmes. Marcado para começar às 20h do dia 3 de agosto, o debate contará com a presença de Fábio Andrade, editor da revista Cinética, músico e roteirista, e Sérgio Moriconi, jornalista, cineasta e professor de cinema. A entrada é franca.   Faroeste Spaghetti: O bangue-bangue à italiana visa levar os espectadores a reviverem sensações da infância e da adolescência, além de reverem rostos conhecidos, como os atores Giuliano Gema e Terence Hill, assim como escutarem, mais uma vez, as trilhas de Ennio Morricone, que se tornaram sinônimo do gênero. Outros, mais jovens, têm a oportunidade de conhecer um legado que modificou sensivelmente a história do cinema. “Os filmes selecionados apresentam um painel abrangente, que nos permite pensar e discutir questões como a construção e a desconstrução do mito do herói, a relação do homem com uma natureza vista como agressiva e selvagem, e o papel fundamental da música para o cinema, ao apreciar a dedicação de mestres cinematográficos a uma arte de repercussão popular”, avisa o curador.  FAROESTE SPAGHETTI: O BANGUE-BANGUE À ITALIANA De 3 a 22 de agosto, no cinema do CCBB (SCES, trecho 2). Ingressos a R$ 4 e R$ 2 (meia).   Uma breve história  [legenda=Trinity – A colina dos homens maus (1969) traz a dupla de sucesso formada por Bud Spencer e Terence Hill]O faroeste spaghetti, como é popularmente conhecido o western feito na Itália, teve início na década de 1960, quando a indústria cinematográfica local resolveu investir em um gênero já consagrado e de produção até então restrita aos Estados Unidos. Surpreendentemente, a visão europeia do Velho Oeste revelou-se, em alguns filmes, bem mais crua e esteticamente desenvolvida do que em muitos filmes americanos, nos quais os heróis, limpos e barbeados, eram verdadeiros exemplos de virtude.   Graças ao padrão estabelecido pelos primeiros diretores italianos do gênero, especialmente por Sergio Leone e Sergio Corbucci, as tramas se desenvolviam de maneira mais direta, com um clima sombrio e tendo a vingança como temática principal. O “mocinho” era quase sempre um homem sujo, malvestido, de motivações misteriosas e caráter duvidoso. Um tipo de poucos escrúpulos, que enfrenta vilões protegidos por um exército de bandoleiros em cidades imundas e hostis, onde a civilização ainda está por ser concretizada. Nas tramas, filmadas na Europa, em locais secos e inóspitos como a Almeria, na Espanha, ou a Sardenha, na Itália, eram frequentes temas como as questões fronteiriças entre o México e os EUA e a bandidagem mexicana.   O novo enfoque estimulou os compositores italianos a fugirem da pompa e das grandes orquestras, estilo consagrado em Hollywood. O grande precursor da trilha sonora dos faroestes italianos foi Ennio Morricone, que traçou um estilo próprio para compor música, com a utilização de assovios melódicos, corais estranhos e instrumentos inusitados. Seu primeiro clássico foi a trilha de Por um punhado de dólares, seguido de outras parcerias com Sergio Leone.   Encarnando os heróis dos filmes, estão vários atores norte-americanos e europeus então desconhecidos ou que não tinham chance no mercado americano: Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Franco Nero, Giuliano Gema e Terence Hill.   Terminada a década de 1960, e já em meados da de 1970, o gênero foi desaparecendo gradualmente das telas, dando lugar a novas tendências que agradavam ao público, como filmes policiais e de lutas marciais. Para o cinema italiano, foi o fim de seu período mais popular e rentável.]O faroeste spaghetti, como é popularmente conhecido o western feito na Itália, teve início na década de 1960, quando a indústria cinematográfica local resolveu investir em um gênero já consagrado e de produção até então restrita aos Estados Unidos. Surpreendentemente, a visão europeia do Velho Oeste revelou-se, em alguns filmes, bem mais crua e esteticamente desenvolvida do que em muitos filmes americanos, nos quais os heróis, limpos e barbeados, eram verdadeiros exemplos de virtude.


Graças ao padrão estabelecido pelos primeiros diretores italianos do gênero, especialmente por Sergio Leone e Sergio Corbucci, as tramas se desenvolviam de maneira mais direta, com um clima sombrio e tendo a vingança como temática principal. O “mocinho” era quase sempre um homem sujo, malvestido, de motivações misteriosas e caráter duvidoso. Um tipo de poucos escrúpulos, que enfrenta vilões protegidos por um exército de bandoleiros em cidades imundas e hostis, onde a civilização ainda está por ser concretizada. Nas tramas, filmadas na Europa, em locais secos e inóspitos como a Almeria, na Espanha, ou a Sardenha, na Itália, eram frequentes temas como as questões fronteiriças entre o México e os EUA e a bandidagem mexicana.


O novo enfoque estimulou os compositores italianos a fugirem da pompa e das grandes orquestras, estilo consagrado em Hollywood. O grande precursor da trilha sonora dos faroestes italianos foi Ennio Morricone, que traçou um estilo próprio para compor música, com a utilização de assovios melódicos, corais estranhos e instrumentos inusitados. Seu primeiro clássico foi a trilha de Por um punhado de dólares, seguido de outras parcerias com Sergio Leone.


Encarnando os heróis dos filmes, estão vários atores norte-americanos e europeus então desconhecidos ou que não tinham chance no mercado americano: Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Franco Nero, Giuliano Gema e Terence Hill.


Terminada a década de 1960, e já em meados da de 1970, o gênero foi desaparecendo gradualmente das telas, dando lugar a novas tendências que agradavam ao público, como filmes policiais e de lutas marciais. Para o cinema italiano, foi o fim de seu período mais popular e rentável.

 

Programção

3/08
15h – Keoma – 14 anos
17h – Era uma vez no Oeste – 14 anos
20h – Debate: O Faroeste Clássico Americano e o Faroeste
Spaghetti

4/08

16h – Eles me chamam Trinity – 12 anos
18h – Sartana – 14 anos
20h – Uma bala para o general – 12 anos

5/08

16h – Viva Django! – 16 anos
18h – Trinity – Ainda é meu nome – 12 anos
20h – O dia da desforra – 14 anos

6/08

16h – Sartana – 14 anos
18h – Django – 14 anos
20h – Keoma – 14 anos

7/08

16h – Sabata – 14 anos
18h – O retorno de Sabata – 14 anos
20h – Meu nome é Ninguém – 14 anos

8/08

16h – Os violentos vão para o inferno – 14 anos
18h – Trinity – A colina dos homens maus – 12 anos
20h – A morte anda a cavalo – 14 anos

10/08

16h – Eles me chamam Trinity – 12 anos
18h – Viva Django! – 16 anos
20h – Vamos matar, companheiros – 14 anos

11/08

16h – Sabata – 14 anos
18h – Por um punhado de dólares – 14 anos
20h – Uma bala para o general – 12 anos

12/08

17h – Django – 14 anos
19h – Era uma vez no Oeste – 14 anos

13/08

17h – Keoma – 14 anos
19h – Por uns dólares a mais – 12 anos

14/08

17h – Os violentos vão para o inferno – 14 anos
19h – Três homens em conflito – 14 anos

15/08

17h – Sartana – 14 anos
19h – Quando explode a vingança – 14 anos

17/08

17h – Trinity – Ainda é meu nome – 12 anos
19h – A morte anda a cavalo – 14 anos

18/08

17h – O retorno de Sabata – 14 anos
19h – Quando explode a vingança – 14 anos

19/08

17h – Trinity – A colina dos homens maus – 12 anos
19h – Vamos matar, companheiros – 14 anos

20/08

17h – Por um punhado de dólares – 14 anos
19h – Três homens em conflito – 14 anos

21/08

17h – Vamos matar, companheiros – 14 anos
19h – Por uns dólares a mais – 12 anos

22/08

14h – Quando explode a vingança – 14 anos


Classificação Atual       ( 4 ) Dê a sua classificação:      


É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Grupo Comunidade

Home | Contato | Expediente | Anuncie | Receba nossas Publicações

Grupo Comunidade de Comunicação © 2008 | Política de Privacidade | Termos de uso