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Poesia rima com infância

Aos 12 anos de idade, Núbia Bertoldo dá os primeiros passos rumo à carreira de escritora. O início só foi possível por que a escola onde estuda, em Ceilândia, apostou em seu talento. Porém, muitas escolas de Brasília incentivam a arte entre seus alunos

Tamanho da Fonte     HENRI THIAGO PERES
hperes@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade

Dentro de uma sala de aula pode haver muito mais que alunos interessados em aprender as disciplinas básicas, como português, matemática, física ou química. Por lá também podem estar talentos que extrapolam a escola. Seja em poesia, pintura, dança, enfim, uma gama de talentos voltados para a arte podem estar escondidos dentro das salas de aula, sejam elas em escolas públicas ou privadas, no Distrito Federal.


Dentro de toda essa arte, a poesia é representada por diversas personalidades do universo literário e agora também atrai novos talentos em sala de aula. Isso se explica sobretudo pela vocação, algo que nasce com a pessoa. Nesse caso, uma criança considerada com altas habilidades ganha destaque. Foi pensando nisso que a Escola Classe 64 de Ceilândia, uma cidade-satélite do Distrito Federal, criou um núcleo para atender essas crianças e despertar em cada uma algum talento.

[legenda=Depois do sucesso do primeiro livro escrito e lançado, Núbia Bertoldo pretende escrever outras histórias]


Em Núbia Bertoldo, 12 anos, foi constatado um talento para as artes visuais, desde 2008.

Imediatamente ela foi encaminhada para um curso de desenho sob a coordenação da professora Maria Cláudia Alves, em horário contrário ao de suas aulas regulares,   na sétima série do Centro de Ensino Fundamental 25 de Ceilândia. A professora  da jovem conta que, no início de 2009, Núbia manifestou o desejo de participar de um concurso de literatura oferecido pela Secretaria de Educação, que mais tarde veio a ser cancelado.


Mesmo sabendo do cancelamento, a aluna não desistiu de seu trabalho. “Primeiro criou a história Florzinha Delicada, em forma de crônica, e pediu minha ajuda na sala de recursos para reescrever a história em versos. A mesma foi dividida em pequenas partes e com meu auxílio, ela foi trabalhando as rimas e formando os versos”, lembra Maria Cláudia.


Já que coube à Núbia Bertoldo a criação de todo o conteúdo da publicação, o processo de ilustração começou com a aluna sendo orientada a transformar em desenhos as informações contidas nos versos, de forma que a criança que não soubesse ler pudesse entender a história. E assim foi feito. A construção do livro durou cerca de oito meses, durante os atendimentos que eram feitos duas vezes por semana.


Incentivo ao talento dos superdotados

De acordo com Sueny Schecino, coordenadora da Regional de Ensino da Ceilândia, Núbia Bertoldo faz parte do programa da Secretaria de Educação voltado para identificar e incentivar o talento de crianças superdotadas.


No ano passado, ela participou de um projeto do Sesc Ceilândia, que convidou empresários de sucesso provenientes da cidade-satélite. Eles falaram para os jovens sobre suas experiências e o caminho para vencer na vida.


Na ocasião, Núbia Bertoldo foi inscrita no evento como contadora de histórias e apresentou o livro Florzinha Delicada. A menina foi muito aplaudida, inclusive pelo diretor do Gran Cursos, Wilson Granjeiro. Ele ministrou uma palestra neste dia e foi quando a professora de Núbia resolveu conversar com ele.


“Depois da minha apresentação, fui conhecer o Granjeiro que aceitou publicar meu livro, atendendo ao pedido da minha professora. Ela solicitou o apoio provavelmente por perceber que uma história que começou a ser criada desde os meus nove anos só precisaria de alguns ajustes para a publicação”, conta, orgulhosa, Núbia Bertoldo.


Revisão para fazer bonito

 

Para chegar ao final da história, que descreve a amizade de uma criança com uma flor, Núbia refez várias vezes as mesmas coisas até chegar ao resultado desejado. “Eu errava algumas vezes, ou no texto ou na ilustração. Refazia quando necessário, sempre com a assistência da minha professora do curso. Nesse livro eu tive auxílio de várias pessoas, mas ao mesmo tempo pude criar com liberdade a história da maneira que desejasse. A única influência era quanto às questões ortográficas, nunca referente ao tema”, recorda Núbia.


Quanto ao seu futuro como escritora, Núbia sonha com a carreira e tem condições para isso. Aprendeu a ler com cinco anos graças ao incentivo do pai, que sempre lia para ela. Nasceu aí a vontade de escrever. O tema do livro se deu desde que Núbia se viu desenhando flores no curso de desenho que participou. O tema veio naturalmente e a história tomou forma.


O estilo adotado pela Editora Gran Cursos, especialista em concurso público, deu lugar a uma nova temática e, provavelmente por se tratar de algo inovador, Granjeiro aceitou apoiar a iniciativa.
Quem pensa que Núbia não vai levar a sério essa empreitada, está enganado. Ela já começou a desenvolver uma nova história que não sabe ao certo se também se tornará um livro de poesias. Sua intenção futuramente é montar um kit com vários livros, cada um contando histórias distintas.


Escola particular também revela artistas no Distrito Federal

 

[legenda=Durante evento, alunos do Galois soltaram a imaginação com grafite]Falando em levar a sério o talento que possui, alunos do Galois também têm a oportunidade de desenvolver aptidões que ninguém sabe que existe. Se não fosse o Galoisartes, evento anual que enaltece o movimento artístico em diversos segmentos, muitas ideias ficariam somente no papel.


Entre os meses de maio e junho foi criado um cronograma de atividades voltadas, sobretudo, para as séries finais do ensino fundamental e para os três anos do ensino médio. O painel decorativo – Brasília 50 anos – aproveitou o cinquentenário da capital para usar como tema a expressão artística conhecida como grafite. Foi no muro da escola que, coordenados por professores de uma das séries participantes, os alunos soltaram a imaginação e com máscara cirúrgica iniciaram a pintura. Feito o trabalho em segurança, ao final era importante deixar o local limpo.


Além disso, teve show musical onde puderam se apresentar bandas, cantores solo, trabalhos instrumentais, coro e outras modalidades. Todos que subiram ao palco foram julgados sob os critérios de afinação, qualidade do instrumento e de quem o executava e ainda a adequação da apresentação ao tema proposto.


Teatro também esteve presente. Para o Intérpretes em Cena, o desafio era, mediante sorteio, encenar algo de acordo com o tema escolhido.


Coube ao professor Eduardo Moreira organizar o concurso de dança. Para ele, o mais importante era apresentar uma dança cuja música estivesse dentro do estilo sorteado e a caracterização da equipe fosse compatível. “Em, no máximo, sete minutos, cada equipe teve o desafio de mostrar dança, música e caracterização com estilo e tudo deveria ser criado com muita originalidade”, lembra o coordenador das turmas do 8º e 9º anos do ensino fundamental e de 1º a 3º anos do ensino médio.


Livraria apoia jovens revelações

A Livraria Cultura do Casa Park, responsável pelo lançamento do livro de Núbia Bertoldo recebeu o contato da Editora Gran Cursos e, ao combinarem a melhor data dentro das disponibilidades da livraria, comunicaram à escola de Núbia.


Welton Rocha, responsável por organizar eventos do porte de um lançamento, seja de livro ou qualquer outro artigo de arte, explica que a divulgação do trabalho de Núbia Bertoldo se deu com os livros sendo vendidos na loja no dia de seu lançamento e que, após essa data, a publicação permaneceu disponível na loja e é possível adquiri-la, seja em qualquer loja física da rede de livrarias cultura ou pelo site oficial.


No caso desse lançamento específico, houve o diferencial da editora de fazer uma parceria em outras publicações comercializadas na livraria, mas Welton Rocha explica que não é tão complicado apresentar um trabalho para eles. “Recebemos todo tipo de trabalho, seja ele independente, de qualquer gênero e mediante análise do material recebido com um currículo de apresentação do autor do mesmo, extraímos o que tem de humano naquele trabalho que possa ser oferecido ao nosso público’, conta Welton.


O coordenador de eventos da livraria enfatiza que essa avaliação visa verificar a qualidade e avaliar se o perfil da obra condiz com o público-alvo do local, além da preocupação com a ética contida no trabalho, sem conteúdo inadequado.


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