Número 1

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Os oito lugares sagrados de Buda

Estudantes do budismo percorreram os oito principais locais de peregrinação da vida do Buda Shakyamuni. O resultado da experiência poderá ser visto em 2011, no documentário Dharma Yatra – Uma viagem externa, interna e secreta

Tamanho da Fonte     DIANA LEIKO
dmiura@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade

[legenda=Equipe de produção do filme Dharma Yatra com o grupo de peregrinos na Índia: registro histórico e busca profunda pelo autoconhecimento]

No Ocidente, o Cristianismo é predominante, mas o modo de pensar oriental vem conquistando cada vez mais adeptos. O budismo é um exemplo dessa tendência e defende que as pessoas já possuem a natureza iluminada; falta a elas despertar para esta realidade. Para mostrar um pouco sobre o modo de pensar e viver dos budistas, está sendo produzido o documentário Dharma Yatra – Uma viagem externa, interna e secreta. O filme retrata um grupo de peregrinos – em sua maioria brasileiros, todos estudantes do budismo – que viajou pela Índia e Nepal, numa rota que compreende os oito principais locais sagrados de peregrinação da vida do Buda Shakyamuni. “Tivemos o cuidado de fazer com que a captação de imagens para o documentário não interferisse na experiência dos peregrinos, que estavam, em primeiro lugar, realizando uma viagem pessoal, espiritual e de autoconhecimento”, revela a diretora Melissa Flores. “Todos sabiam que a equipe do filme estaria viajando junto com eles. Alguns concordaram em participar mais ativamente, e combinamos que eles iriam relatar suas experiências durante o percurso. Saímos do Brasil com algumas coisas acertadas e o restante aconteceu naturalmente. Aos poucos, a tensão inicial foi se dissipando, e o grupo ficou muito próximo. Os peregrinos foram maravilhosos, a forma como abriram seus corações foi de uma generosidade comovente”.

Desafios e captação de recursos

[legenda=O diretor de fotografia Mihay Freire capta as imagens do documentário]Segundo ela, os participantes foram expostos a um constante confronto, no que diz respeito às suas expectativas e crenças. Ao decidirem entrar em contato com a cultura indiana e nepalesa, eles voluntariamente saíram de suas zonas de conforto habituais: suas casas, suas camas, sua comida, seu país. Foram, portanto, desafiados pelas próprias estruturas mentais, e obrigados a olhar para aquilo que, por ser automático, normalmente passa despercebido. “Para a etapa de produção conseguimos apoio da Luxe Índia (agência especializada em viagens pela Índia), que ofereceu hospedagem e deslocamentos internos para a equipe do documentário. Fizemos também uma campanha on-line para arrecadação das fitas que iríamos utilizar, e foi um sucesso! Conseguimos 60 fitas em dois dias e meio”, relata a cineasta. “O projeto inteiro é um desafio, especialmente a captação de recursos. Estamos entrando na fase de edição e finalização, que é a mais cara, e envolve uma série de etapas, pessoas e equipamentos de alto custo. Ainda temos o desafio da distribuição pela frente”.


O documentário, previsto para ser lançado em 2011, depende de doações para ficar pronto. “Na etapa de captação, gastamos em torno de 20 mil dólares. Na produção total, o investimento estimado é em torno de 70 mil dólares”, conta a diretora. E acrescenta: “Muitas razões nos levaram a acreditar que esse é um filme necessário. Entre elas, a compreensão de que as experiências vividas fariam com que o grupo se deparasse com questões universais a todas as pessoas. Longe de casa, com a convivência forçada, era inevitável que viesse à tona aquilo que todos temos de mais profundo. Como diz o Dalai Lama, todos os seres procuram a felicidade e querem saber qual é a receita. Por outro lado, é também um registro histórico valioso, na medida em que não existe um documentário, nem em língua inglesa, sobre os oito lugares sagrados da vida do Buda Shakyamuni”, opina.


Dalai Lama: a personificação da sabedoria

 

[legenda=O encontro com o líder Dalai Lama foi um dos pontos altos da viagem]Um dos pontos altos da viagem foi o encontro com o Dalai Lama, líder temporal e espiritual do povo tibetano. “A experiência com ele foi incrível. Nossa equipe de base na Índia conseguiu milagrosamente as credenciais de imprensa para que pudéssemos filmar os ensinamentos em Bodhgaya (cidade considerada o berço do budismo). Foram quilos de documentação enviados em tempo recorde, em pleno dia 31 de dezembro, uma correria! Foi muito impressionante para nós ver de perto tudo aquilo: mais de 40 mil pessoas do mundo todo, sendo que 20 mil eram monges. Havia muitos tibetanos que fugiram do Tibete para ouvir os ensinamentos”, lembra. “É impossível ficar indiferente à presença desse grande mestre, é difícil de descrever. É uma presença profundamente compassiva e amorosa. Interessante também vê-lo assumir os diferentes papéis que ele precisa desempenhar. A fala aos ocidentais foi totalmente diferente da fala aos tibetanos. Ele disse: ‘Muitas notícias tristes chegam aos meus ouvidos, mas minha mente esta ok, em paz. A profunda paz mental é útil e isso não tem nada a ver com religião’. Tenho certeza que o Dalai Lama é a personificação dos grandes seres de sabedoria da humanidade”.

 

Sobre a produção

Dharma Yatra – Uma viagem externa, interna e secreta é um filme totalmente captado no formato digital full HD (1920x1080 pixels), que permite excelente qualidade de imagem tanto para reprodução doméstica (DVD e blu-ray) quanto para veiculação em TV digital e projeção digital em salas de cinema.


A equipe de produção que acompanhou os viajantes foi composta de um número pequeno de pessoas, para garantir qualidade e, ao mesmo tempo, agilidade, devido ao grande número de deslocamentos. Não foi usada luz artificial, aproveitando ao máximo a iluminação natural dos ambientes.


O filme terá a finalização de som e imagem feita no Brasil. “Utilizaremos amplamente recursos de motion design para inserção de informações a respeito das cidades visitadas. Estão previstas versões legendadas em inglês e português”, explica Melissa Flores. “Pretendemos exibi-lo no país todo e no exterior. Temos apoio do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB – cebb.org.br), que está presente em 18 cidades em 9 estados brasileiros, e em Montevidéu, no Uruguai. Além disso, temos o Centro de Cultura Tibetana (CCT) como parceiro, que vai cuidar da exibição internacional. Vamos inscrevê-lo em festivais de cinema brasileiros e internacionais”, conclui.


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