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Consórcio de imóveis em alta

Em 2011, o número de clientes que aderiram a esse sistema cresceu 20,7%. No setor imobiliário, o total de participantes ativos chega a 612,3 mil, o que prenuncia um quadro bastante favorável para o segmento neste ano

Tamanho da Fonte     MAYCON FIDALGO
mfidalgo@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade

[legenda=Pesquisa da Quorum Brasil aponta que de janeiro a outubro de 2011 houve 898,8 mil contemplações de consorciados no País][credito=Foto: Sandro Araújo]

O sistema de consórcios apresentou, em 2011, um cenário favorável para a venda de novas cotas – o principal sinalizador do interesse do consumidor. Encomendada pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), a pesquisa realizada pela Quorum Brasil detalha que o número de consorciados chega aos 4,6 milhões e o volume de negócios ultrapassou R$ 62 bilhões. Os dados representam uma alta de 20,7%, comparados aos de 2010. Nesta perspectiva, o total de participantes ativos para o setor de imóveis chega a 612,3 mil, ficando atrás, somente, dos consorciados de veículos automotores, que representam 84,8% do quadro total.


De janeiro a outubro do ano passado houve 898,8 mil contemplações – momento em que os consorciados realizam seu objetivo. Em relação a 2010, o acumulado foi de 10,6%, bem acima das 812,5 mil anteriores. Os dados coletados pela Quorum Brasil representam um crescimento de consórcios de imóveis no País, seguidos de uma evolução do mercado imobiliário.


Neste cenário, esse sistema é uma oportunidade para quem deseja adquirir ou investir em um imóvel e, assim, formar um patrimônio. Caso o interessado não tenha recursos financeiros para fazer a compra à vista, optar pelo consórcio é a melhor saída – os custos mensais são reduzidos e as prestações, geralmente, ajustam-se ao orçamento do consorciado.


Constituído pela reunião de um grupo de pessoas objetivando o pagamento de um imóvel à vista, o sistema de consórcio é feito por meio do autofinanciamento. Como norma genérica, uma empresa administradora de consórcio tem o prazo de 90 dias para formar um grupo que comporte um número de consorciados.


Após estipular um valor para a compra de um imóvel, o interessado pode retirar a carta de crédito ao dar lances nas assembleias do grupo, ao ser sorteado ou esperar até o fim do contrato. Cumprindo um destes passos, terá em mãos a verba para a compra de um imóvel novo ou usado, residencial ou comercial, em qualquer lugar do País desde que possua habite-se (autorização do órgão municipal para que o imóvel seja habitado).


Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), atribui o aumento do número de participantes em consórcios de imóveis à expansão e valorização do setor no País. “O mercado imobiliário continua aquecido e as vendas estão em alta. Há momentos de retratação, mas o preço do m²  tende a se acomodar e, assim, apostaremos no crescimento dos interessados a ingressar no consórcio”.


Ele destaca outra forma de o consorciado usar a carta de crédito: “Quem optar pelo consórcio pode utilizar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para completar o valor do imóvel. Se o consumidor possuir R$ 300 mil, que é o valor estipulado pelo consórcio, e desejar comprar um patrimônio no valor de R$ 400 mil, ele pode complementar com R$ 100 mil do fundo”, exemplifica.


Nova classe média movimenta o mercado

 

[legenda=Nelson observa que o sistema de consórcio é menos burocrático que os demais][credito=Foto: Dinah Feitoza]O superintendente da Bancorbrás Consórcios, Nelson José Cocco, diz que o consórcio é menos burocrático do que outras formas de se adquirir um imóvel. “Por isso, o sistema se torna uma possibilidade para pessoas de qualquer classe”, opina. “Há famílias que ainda não têm seu próprio imóvel. A tendência é o crescimento”, enfatiza.


Cocco lembra que a Lei 11.795/08 e as Circulares do Banco Central resguardam o consorciado em pontos importantes, como a devolução de crédito a consorciados desistentes ou excluídos, que podem receber as quantias pagas via contemplação por sorteios ou quando do encerramento do grupo; clareza e transparência por parte das administradoras, segurança e confiança no próprio sistema de consórcios. “Por ser um negócio a longo prazo, as pessoas devem selecionar empresas consolidadas e confiantes para trabalhar com o grupo de consorciados. É importante”.


O gerente executivo do Banco do Brasil Consórcios S.A., Alexandre Luis dos Santos, acredita que o aumento da procura pelo consórcio reflete o crescimento econômico que o Brasil vivencia nos últimos anos. “O País vive a ascensão das classes D e E, resultando, assim, no surgimento de uma nova classe média. Outros fatores, como as medidas governamentais, também favoreceram o mercado de consórcios, de um modo geral, uma vez que não houve impacto nesse tipo de operação. Por exemplo, no consórcio não há incidência de IOF e não houve mudança nos prazos dos grupos”.


Benefícios para o contemplado
[legenda=Rossi fala do aumento de consorciados no País em 2011][credito=Foto: Divulgação]Caso seja contemplado, o consorciado pode se beneficiar de várias maneiras. “O interessado pode amortizar o saldo devedor com o dinheiro da contemplação. Mas vale ressaltar que ele deve seguir as regras indicadas no manual da Caixa Econômica Federal na qualidade de agente operador”, afirma Rossi.


Rossi ressalta que, antes de ingressar em um grupo, o interessado deve estudar suas opções para a compra de um imóvel: “Para quem precisa de um imóvel imediatamente, o consórcio pode não ser a melhor opção. Se o consorciado está na expectativa de ser contemplado em um curto intervalo de tempo, é melhor se programar e ver outras formas de adquirir um patrimônio”.


Rossi alerta para os principais direitos e deveres do consorciado perante o grupo: “Entre os fatores mais importantes, o consumidor pode participar das assembleias e ter acesso à movimentação financeira do grupo. Pagar as prestações em dia é um dever. Além disso, conhecer as regras do consórcio e procurar uma administradora autorizada pelo Banco do Brasil é fundamental”.


O gerente regional da Paulo Baeta Empreendimentos Imobiliários, Cyro Max, compartilha da opinião de Rossi. Ele acha preponderante analisar o grupo em que o consumidor está entrando como consorciado. “O perfil do interessado deve ser levado em consideração. Se ele tem a possibilidade de formar uma poupança e o desejo de investir, estudar as opções é imprescindível”, avalia.


Cyro justifica que há um desconhecimento genérico acerca do mercado de consórcios de imóveis e, para reverter este quadro, o cliente deve saber o mecanismo de operação desse setor. “Muitos interessados entram no consórcio sem saber como funciona. Ver a perspectiva de prazo para ser contemplado é fundamental para não criar falsas expectativas. Analisar as taxas que o banco cobra, assim como as cartas de créditos, ajuda a ter um posicionamento melhor sobre o grupo. Muitas vezes os juros são maquiados e a taxa real é escondida”.


Baixo custo financeiro
O gerente executivo do Banco do Brasil Consórcios reforça que, com o consórcio, o cliente tem baixo custo financeiro. “A taxa de administração máxima, por exemplo, para o BB Consórcio de Imóveis, durante todo o período de 200 meses, é de 17%, algo que corresponde a aproximadamente 1% ao ano. Sendo que no primeiro ano está em torno de 2% em função de 1% de taxa de administração antecipada, que é diluída nas 10 primeiras prestações”. O consorciado, como indica Alexandre, tem como financiar mais de um imóvel através do grupo, com apenas uma restrição: “Um único consorciado não pode adquirir mais de 10% (dez por cento) das cotas de um mesmo grupo. Dentro desse limite, cada administradora avalia a exposição do grupo ao risco”, observa.


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