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Um caleidoscópio de emoções

Com uma perspectiva inovadora do trabalho do ator e das artes cênicas, o Teatro Caleidoscópio acaba de completar uma década e se destaca no cenário cultural

Tamanho da Fonte     NARJARA CARVALHO
ncarvalho@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade

[legenda=A tempestade][credito=Foto: Daniel Fama][legenda=Uma última cena para Lorca][credito=Foto: Sonia Baiocchi][legenda=Cascudo][credito=Foto: Kacau Machado]

 

 

 

Palavra oriunda do grego, caleidoscópio significa “instrumento para ver belas imagens”. O termo serviu para batizar, há 10 anos, um espaço cênico genuinamente brasiliense, que funciona na CLSW 102, do Setor Sudoeste. O Teatro Caleidoscópio contabiliza, hoje, 18 espetáculos, sendo 12 deles desenvolvidos e encenados no local, onde os artistas têm a oportunidade de mostrar o seu trabalho e, principalmente, encantar o público.


Fruto de uma pesquisa de 18 anos desenvolvida pelo ator e diretor André Amaro, o Teatro Caleidoscópio tem capacidade para apenas 30 pessoas, o que, na avaliação do diretor, proporciona maior intimidade entre público e artistas. Para ele, esse é um diferencial do lugar. “Somos uma casa de criação teatral e não um espaço com fins comerciais”, ressalta.


Independência
[legenda=André Amaro: “Criei o Caleidoscópio por uma necessidade de mostrar a minha arte do meu jeito e ter mais independência”][credito=Foto: Dinah Feitoza]A história do local se mistura com a trajetória artística de André Amaro. Ao longo da carreira, ele interpretou, dirigiu e produziu dezenas de peças, se envolveu em projetos diversos e sempre esteve atuante no cenário cultural brasiliense. Sua ideia foi utilizar o conceito do caleidoscópio para elaborar uma nova maneira de atuar e oferecer o espetáculo.


André se dedica ao teatro há 30 anos e afirma que a arte exige disciplina e entrega total. “Criei o espaço por uma necessidade de mostrar a minha arte do jeito que eu quero e quando eu quero, para obter mais independência”, explica. O diretor foi aluno de grandes nomes do tablado, como Dulcina de Moraes, Ariane Mnouchkine e Eugenio Barba. Em 2007, lançou o livro Teatro Caleidoscópio – O teatro por fazer, que esmiúça o universo teórico que o inspirou.


O lugar se tornou rapidamente um ponto de referência no circuito cultural de Brasília. Atualmente, o grupo que administra o teatro é formado, além de André Amaro, por Claudio Lago, Lilian França, Fabiana Tenório, Aylan Carvalho, Vanessa Di Farias, Andréa Borba e Frederico Palma. Para o diretor, um dos maiores desafios do teatro brasiliense é conseguir manter um grupo coeso e interessado, que participe ativamente de todos os projetos. “Como não conseguimos ainda oferecer muitos recursos, os artistas acabam saindo para abraçar outras oportunidades”, observa.

Beleza em cena
Pelo Caleidoscópio já passaram atores como Bruno Palzato, Odemir Donizeti, Bic Prado e Raquel Aló, Elia Cavalcante, Pecê Sanvaz, Ricardo César e Marcos Vinícius Ferreira. No palco, foram apresentados espetáculos que seguem diversas tendências, da comédia ao drama, passando pelo absurdo, mitologia, ficção histórica, política e cultura musical brasileira. Além das atividades e peças da companhia, o Teatro Caleidoscópio é um lugar para experimentação e aprendizagem. A programação inclui montagens experimentais de outros grupos, oficinas, cursos e palestras oferecidas por artistas que se dedicam à pesquisa da linguagem teatral.


Segundo André, todos os espetáculos são analisados e pensados de forma que a associação com o fenômeno caleidoscópio seja possível. “O teatro é efêmero e lida constantemente com cores e imprevistos. Temos a possibilidade de criar a beleza em cena. Esse é o caleidoscópio”, afirma.


Alguns princípios do “brinquedo filosófico” – como foi chamada a invenção do físico David Brewster – são aplicados na prática corporal dos atores do Teatro Caleidoscópio e inspiram a concepção das montagens. “A perspectiva caleidoscópica nos permite entender o ator e a cena como uma matéria fragmentária, combinatória, que se modifica em desenho e energia, numa contínua metamorfose, em busca de expressão e beleza”, explica Amaro.


O diretor adianta que a estrutura do teatro deve ganhar melhorias. Está prevista a construção de uma nova bilheteria, a compra de novos equipamentos de luz e um quiosque para degustação de vinhos.

Celebração especial
Para comemorar os 10 anos, o Teatro Caleidoscópio está com uma programação que reúne artistas de diversas vertentes da arte cênica. A temporada começa com a peça Cascudo (2002), vencedora de quatro prêmios na Mostra Sesc do Teatro Candango de 2004.

 

 


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