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Máfia de Cachoeira contra Agnelo

Uma grande conspiração comandada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres para derrubar o governador Agnelo Queiroz. Esta é a visão do porta voz do GDF Ugo Braga, que publicou em seu blog como a conspiração foi vista de dentro do Palácio do Buriti

Tamanho da Fonte      Redação Jornal da Comunidade

 

Escutas mais recentes da Operação Monte Carlo, feitas no fim de janeiro e início de fevereiro deste ano, revelam uma conspiração da turma de Carlinhos Cachoeira para derrubar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Para tanto, o grupo se vale da combinação entre imprensa, Ministério Público e o senador Demóstenes Torres.
O primeiro desses diálogos ocorre em 30 de janeiro, uma segunda-feira, pouco antes das nove da manhã, e envolve Carlinhos Cachoeira e Dadá, seu braço direito.

CARLINHOS - Fala Chicão.

DADÁ - Ó, o negócio tá tendo uma repercussão violenta, rapaz. Esse negócio da revista Veja aqui.

CARLINHOS - Ah, é? Então agora ele cai?

DADÁ - Sei não, cara. Sei que a repercussão envolveu o Ministério Público. Mas a imprensa toda, Globo hoje,
Globo, Record, tá todo mundo batendo no cara. O bicho tá pegando.

CARLINHOS - Tá. Tó tendo uma reunião, vou falar com você.

Os dois se referem a uma reportagem assinada pelo jornalista Hugo Marques, publicada pela Veja que chegou às bancas dois dias antes. Nesta reportagem, intitulada “O PT na Caixa de Pandora”, a publicação acusa Agnelo de ter visto com antecedência o vídeo no qual o então governador José Roberto Arruda (DEM) aparece pondo as mãos num maço de dinheiro, supostamente caixa 2 da campanha abastecido via pagamento de propinas por fornecedores do Governo do Distrito Federal. O vídeo é o principal da Operação Caixa de Pandora, que, dois anos antes, jogou o DF na maior crise política desde sua fundação e entrou para a história apelidada de mensalão do DEM.
Segundo o texto da Veja, Agnelo viu o vídeo, pegou uma cópia dele, que fez chegar ao então advogado-geral da União, José Dias Tofolli, também petista, e assim iniciou a articulação que terminou por derrubar Arruda. Ainda que a “acusação” careça de lógica, as redes locais de TV repercutiam a reportagem nos telejornais da manhã na forma de denúncia cabeluda contra Agnelo, o que animou a dupla.
Vinte minutos depois desse primeiro telefonema, Cachoeira volta a procurar Dadá.

CARLINHOS - E então, o trem tá feio aí?

DADÁ - Tá bicho, a Globo bateu pesado nele, Record, ele tá dando explicações aqui, mas os caras não tão se convencendo não, entendeu? Tá gaguejando aqui na televisão.

CARLINHOS - Então libera o Gordinho…, né?

DADÁ - Falei com ele agora, com o Cláudio, (…) “porra, a gente tem que resolver isso”, falei. “Rapaz, isso aí é o seguinte, se vocês resolvem, vocês tiveram a oportunidade de resolver, ainda tá em tempo, vocês resolvem o problema que o homem te pediu, cara, e vocês, é…, vai ser hasteada bandeira branca, bicho”.

 

 

[legenda=Bisquas quis dolorro to blacestibus, eostio. Exerorem nem re dolenda nducium fugiant ibusam, ad et untorrume aut fuga. Am ea nonsequunt voluptusdae][ampliar=sim]

O Gordinho a que se refere Cachoeira é Demóstenes Torres. Liberá-lo significa orientá-lo para atacar Agnelo da tribuna do Senado. Já o “problema” mencionado por Dadá para que se chegue à bandeira branca, ou seja, para que Demóstenes poupe Agnelo, é a nomeação de um apaniguado para a direção-geral do SLU, estatal que fiscaliza o contrato de coleta de lixo no DF, feita pela Delta. As escutas da Operação Monte Carlo mostram que Cachoeira tentava há mais de um ano abocanhar esse cargo e não conseguia.
O diálogo prossegue.

CARLINHOS - Você tem que avisar que eles vão apanhar, entendeu? Vão continuar apanhando.

DADÁ - Não, lógico, vou avisar, daqui a pouco vou ligar para eles.

CARLINHOS - (…) porque é o seguinte: não vai perder uma oportunidade dessa não, uai, senão passa uma oportunidade dessa aí…

DADÁ - Pro cara cair é três, quatro meses. É o tempo que vence aquele negócio, o cara em maio assumir, né? Em maio, o outro pode assumir, o vice, aí resolve a nossa vida, não é possível.

Abre-se um parêntese. Em grampos anteriores, o próprio Dadá afirma que o grupo precisa procurar o vice-governador para se acertar com ele. Ou seja, não há, nos autos da PF, indicativo de que o vice fosse atender às investidas. Independentemente disso, porém, o governador revelara-se um obstáculo intransponível. Precisava ser substituído. Fecha parêntese.
Depois de fazer as contas para o tempo legal suficiente para o vice-governador assumir sem que uma nova eleição fosse convocada, Cachoeira desliga com Dadá. Minutos depois, às 9h40, telefona para Cláudio Abreu, diretor da Delta para o Centro-Oeste.

CLÁUDIO - Deixa eu falar, o Dadá me posicionou aqui, aquela história, nós não pediu nem nada, deu uma reviravolta na turma lá, tá tudo desesperado, né? O Dadá já me falou que você falou pra ele “botou a cabeça, agora deixa”, eles que têm que resolver. Não resolvem minhas coisas lá, bicho.

CARLINHOS - Falei pro Dadá, eu liguei pro nosso amigo, falei: “ó, solta o bete (…) é ao contrário, vai bater, aí, depois de arrumar os seus negócios ele para, entendeu?

CLÁUDIO - É, exatamente.

A trama transparece nos diálogos. Ou Agnelo entregava o SLU ou continuaria apanhando até cair. Dadá e Cláudio Abreu, então, procuram um terceiro personagem, Marcello Lopes, o Marcelão, e pedem para que ele faça um pedido de audiência com o governador Agnelo Queiroz. No dia seguinte, 31 de janeiro, terça-
feira, há um grampo em que Cláudio Abreu conta a Carlinhos Cachoeira o resultado dessa audiência.

CLÁUDIO – Fera, é o seguinte: eles estão muito seguros de si. Primeiro eu vou contar o que aconteceu. Depois vou te contar o que o FERNANDO sugeriu e o que depois da reunião, nós saímos. Não falamos com o (?) foi só com o CLÁUDIO. Sentei lá no sofá, ó o discurso do CLÁUDIO... Você tá com tempo pra aí ouvir, né? Ele virou pra mim e falou assim: “a pior coisa de um homem é quando ele é seguro de si e ele não sabe o que ele tem de fragilidade e com essa segurança ao mesmo tempo ele pode levar um tombo. (...)

A PF pôs uma interrogação entre parênteses por que o analista da escuta não entendeu o que foi falado. Mas tratavam do governador. Ou seja, o grupo de Cachoeira queria falar com o governador no dia seguinte aos ataques vindos da imprensa. Num momento de fragilidade, presume-se, seria mais fácil envolvê-lo. Mas Cláudio Abreu é claríssimo, não consegue acesso a ele e pára no chefe de gabinete, Cláudio Monteiro – cuja missão, diga-se de passagem, é precisamente filtrar a agenda do governador, conter as impurezas, impedi-las de chegarem ao gabinete.
Cláudio Abreu segue a conversa. As últimas frases desta fala transcritas pelo analista da Polícia Federal são as seguintes:

“Aí terminou a reunião, nós saímos de lá quase à meia noite. Terminou a reunião, mandei pro chefe lá, falei o que aconteceu. Ele falou: puta merda, esses caras só promete, só enrola CLÁUDIO. Fala pro nosso amigo lá descer a mutamba neles. Desça a mutamba que só assim eles vão entender o negócio”.

No dia seguinte, quarta-
feira, primeiro de fevereiro, o trio Abreu/Dadá/Cachoeira volta à articulação. Como o novo bote sobre o SLU restara infrutífero, prepara-se, então, a investida final sobre o governador. Para tanto, o grupo traça uma estratégia contando com a atuação de Demóstenes, que bateria em Agnelo da tribuna do Senado. Mas só depois de uma denúncia assinada pelo procurador-geral da República – nas contas do grupo, esta seria mais valiosa do que as informações usadas até então, fornecidas por Alberto Fraga (DEM), candidato derrotado ao Senado, e Edson Sombra, blogueiro de Brasília que ataca o governador com frequência, ligado ao senador cassado Luís Estevão.

DADÁ - (…) estão dizendo que o Gurgel vai fazer uma denúncia contra Agnelo, então espera esta denuncia sair, é o tempo que a gente ganhava de 30 dias e daí a gente bate em cima de denúncia, porque daí vai bater em cima de uma denúncia do Ministério Público, não em cima de fala de Fraga em cima de fala de Sombra, entendeu?

CARLINHOS: Entendi, o que você quer que faz?

DADÁ: Primeiro tem que conversar com CLÁUDIO (Abreu) e FERNANDO (Cavendish) porque eles que querem que bata, então eu quero primeiro falar com CLÁUDIO esta avaliação que a gente fez, o que ele acha desta avaliação eu não posso determinar nada. Mas o que eu estava falando com o MARCELO, o MARCELÃO, disse assim: DADÁ olha só, os caras não estão dizendo que vai sair uma denuncia do Ministério Público. Por que aí o SENADOR espera esta denúncia sair e aí sim, ele está no direito de falar na tribuna. Porque o que acontece ele tem um papel do MP afirmando que o AGNELO é vagabundo. Hoje só tem dossiê, dossiê do FRAGA, dossiê do SOMBRA, não tem nada no papel.

Nesse mesmo dia, minutos depois, Cachoeira e Dadá voltam a se falar e tramam os detalhes da tarefa a ser entregue a Demóstenes.

DADÁ: (..) porque o cara vai ser denunciado mesmo lá na frente entendeu e aí a gente tem argumento pra dizer “ó o cara tá fazendo o papel dele de oposição”. Aí eu pedi pra falar com você aí pra dar um toque lá pro GORDINHO pra segurar essa denúncia aí que vai que diz que vai sair aí do GURGEL, procurador-geral entendeu?

CARLINHOS: Pra segurar o Gurgel não tem jeito não.

DADÁ: Não rapaz, só dar pronunciamento na (..?..) e no plenário depois que o GURGEL fizer a denúncia.

CARLINHOS: Ah excelente então, eu vou conversar com ele.

DADÁ: Aí conversa com ele, entendeu. Conversa com ele aí e vê se ele garante isso aí porque daí o CLÁUDIO vai garantir lá pros cara lá.

CARLINHOS:...espera eu primeiro conversar com ele.

DADÁ: Sei, lógico não vou falar (..?..) sem consultar ele não.

CARLINHOS: tá tchau.

Dadá calculava em 30 dias o tempo necessário para levar o plano a cabo. Não tiveram tanto. 28 dias depois deste último diálogo, a PF deflagrou a Operação Monte Carlo. Nem Agnelo entregou o SLU, nem Roberto Gurgel formalizou a denúncia contra ele, muito menos Demóstenes Torres iniciou uma ofensiva fatal da tribuna do Senado. Dadá, Cachoeira e Cláudio Abreu estão presos. Fernando Cavendish está a ponto de vender a Delta. Demóstenes Torres, que chegou a protocolar um pedido de impeachment contra Agnelo em outubro do ano passado, terá o mandato de senador cassado.


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