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Com oferta e sem procura

Há vagas de sobra para os profissionais qualificados. Contudo, a quantidade de trabalhadores disponíveis é pequena. Cursos para os quais o mercado oferece mais empregos são os menos procurados

Tamanho da Fonte     TATIANE ALVES
tsantana@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade

[legenda=Pedro Hermida, diretor da Uneb, alerta para o erro de escolher um curso padronizado, que foge das habilidades necessárias][credito=Foto: Toninho Tavares]Muitos são os graduandos que cogitam realizar uma pós-graduação. Alguns preferem primeiro buscar experiência no mercado de trabalho antes de dar continuidade aos estudos. Porém, a maioria que opta por voltar para a sala de aula após a graduação busca cursos em que o mercado de trabalho está superaquecido.


São diversas as áreas em que o mercado de trabalho disponibiliza vagas. O difícil mesmo é encontrar profissionais qualificados para atuar. Jornalismo econômico, por exemplo, tem uma demanda altíssima no mercado, mas poucos são os interessados  em cursar e ingressar nessa área.


Os fatores mais relevantes para o profissional na escolha de uma formação em nível de pós-graduação são o desenvolvimento profissional e o incremento na remuneração. “Percebemos que, por falta de orientação, muitos acabam optando por cursos padronizados, que distanciam o desenvolvimento das habilidades requeridas do que as empresas estão buscando. A principal exigência do mercado de trabalho não está exatamente no foco do curso, mas nas habilidades que o aluno desenvolve durante uma pós”, acredita Pedro Ivo Hermida, diretor geral da Uneb.


Pedro diz que, em ambientes competitivos, como o atual, os profissionais deverão adquirir competências para se adaptar às situações inesperadas e ter capacidade de aprender. “O mercado de trabalho está em busca de profissionais com experiência prática e com formação acadêmica adequada”, explica.


A globalização foi responsável pela abertura dos mercados e pelo aumento do grau de competitividade, forçando as empresas a exigirem mais de seus gerentes e diretores. “Apesar da oferta de vagas nas áreas de tecnologia da informação e em cargos de gerência e diretoria com foco em novos negócios, os cursos de redes de computadores, banco de dados, marketing global e negócios internacionais, por exemplo, ainda são pouco procurados”, detalha Pedro.

Qual o motivo?
As empresas procuram, mas são poucos os interessados e qualificados para a vaga ofertada. Diretor e pró-reitores avaliaram o assunto e deram opiniões. Klecius Celestino Silveira, pró-reitor de pós-
graduação do Unieuro, acredita que a pequena procura em alguns cursos deve-se à falta de informação sobre esta área, porém o mercado quer profissionais capacitados.


O pró-reitor de pós-graduação e pesquisa do UDF Centro Universitário, Fabiano de Souza Ferraz, acredita que, entre os diversos fatores que podem influenciar no deslocamento da curva de demanda por determinados cursos, destaca-se a possibilidade de maior aumento da renda na escolha de um curso em detrimento de outro, a ascendência que o curso pode proporcionar no meio profissional e as projeções de cenários e tendências de mercado.


Pedro Ivo, diretor da Uneb, vai além: “Apesar da existência de oportunidades de trabalho nas áreas de gestão e tecnologia, muitos profissionais ainda não se preocuparam com a formação acadêmica, acreditando que apenas a experiência poderá ser um indicador de crescimento na profissão”, alerta.


Brasília se destaca

 

[legenda=Fabiano Souza ressalta a pujança dos cursos no DF: ''Aqui tem-se um alto índice de escolaridade, o que favorece a oferta''][credito=Foto: Divulgação]Outro fator determinante na pouca procura por cursos de pós-graduação tem sido as dificuldades de  conciliar a rotina de trabalho com uma agenda de estudos e pesquisa. Isso também tem afastado os profissionais mais experientes das salas de aula, o que pode ser um indicador de fracasso profissional no longo prazo.


O pró-reitor Fabiano Souza afirma que o mercado de pós-graduação do Distrito Federal apresenta-se como um dos melhores do país em termos de qualidade acadêmica e em relação à demanda. “Alguns fatores contribuem diretamente para isso, tais como o alto índice de escolaridade e a proximidade geográfica com grandes centros de negócios, como São Paulo e Rio de Janeiro, o que possibilita o deslocamento de profissionais renomados a Brasília para atuar como professores nas mais diversas áreas de pós-graduação”, explica.

INVESTIR EM GESTÃO PODE SER VANTAJOSO
Cursos de especialização em gestão revelam bons caminhos e oportunidades diversas no cenário atual, onde se valoriza cada vez mais a gestão profissional nos diversos segmentos do setor privado e no funcionalismo público. “Devido ao processo sazonal do mercado, algumas áreas de formação tendem a ser menos beneficiadas durante um período, como, por exemplo, cursos elaborados para atender determinada demanda que estava reprimida ou que foram constituídos para suprimir uma necessidade específica de uma empresa ou órgão”, acredita Fabiano.


Cresce a demanda da pós em economia
O economista pode atuar tanto como profissional liberal como em diversos órgãos das esferas municipal, estadual ou federal. No setor privado a atuação se dá em bancos, corretoras, bolsas de valores e demais agentes do sistema financeiro, bem como em empresas de pequeno, médio e grande portes. O economista também pode atuar como docente no ensino superior, em cursos de graduação e pós-graduação. A profissão de economista não deixou de ser interessante no mercado de trabalho. As organizações nacionais e internacionais solicitam e contratam cada vez mais profissionais de economia. Até 2006 eram mais de 80 mil profissionais na área de economia no Brasil, diz o economista Aurelino Levy Dias de Campos.


Pesquisa feita em 1996 pelo Conselho Federal de Economia, divulgada em 2000, aponta que 82,3% dos economistas eram do sexo masculino e 17,7% do feminino. Na região Centro-Oeste a predominância é de economistas nascidos no Sudeste. A idade média do economista era de 42 anos. Outra pesquisa, realizada pelo Conselho Regional de Economia, Instituto dos Economistas e Sindicato dos Economistas do Estado do Rio de Janeiro, no biênio 1996-1997, teve o objetivo de verificar o cenário profissional da categoria naquele Estado. Em linhas gerais, observaremos apenas alguns aspectos do relatório. Na formação acadêmica, dos 53% de formados, 24% tinham especialização, 6% mestrado e 1% doutorado.


Para o pró-reitor Fabiano de Souza, do UDF, independentemente das razões que regem a escolha por determinado curso de especialização, a educação deve ser compreendida como estratégia de desenvolvimento pessoal e profissional e sua qualidade é fator determinante como vantagem comparativa, como elemento transformador da sociedade e na contribuição para a formação de profissionais competentes, éticos e capazes de exercer a cidadania participativa, responsável e solidária.


Klecius Celestiano, pró-reitor do Unieuro, acredita que cursos como o de jornalismo econômico são menos procurados pelo fato de esta área necessitar do jornalista um conhecimento na área de matemática financeira. O curso de graduação não oferece nenhuma cadeira para tratar desse assunto e por isso afasta os profissionais desse ramo do jornalismo.


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